Edigles Guedes
Sortia-me em mim o privilégio de um beijo,
Arcaico que fosse — é um beijo assaz e ainda!…
O qual me arrasa o âmago, austero, sem pejo,
E o quarteirão, onde eu resido com minha lida!…
Você sabia que o beijo me devoraria,
Como a Esfinge de Édipo em sua travessia.
— Decifra-me, ou te devoro! — ela diria.
Você, no entanto, com sua avessia,
Far-me-ia perder a calma na lama do rio Tejo.
Tejo, Tejo, onde Pessoa afogou suas lágrimas,
Onde Pessoa surtia efeito de suas mãos heterônimas!…
O que eu digo para ela, Tejo, Tejo, meu Tejo?...
Quais as palavras, palpáveis, que cabem nos lábios
De um coração que nada sabe, mas é enxerido e sábio!…
27-2-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Aquário de Vida
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