Edigles Guedes
Sem ti, tão desprezado Amor,
A chuva cai aos miúdos. Mor
Flor que o mundo já viu, porém
Desmentiu sua existência: atra
Dor, que dói em meu peito. Siso
Em loucura: dado riso,
Que sorte e azar, sócios, contêm
Seios alísios alcoólatras!…
Sem ti, tão dromedário Amor,
O sol poreja o mesmo suor,
Agora a pouco. Devaneio
De meu desafortunado
Coração há muito fadado
Ao teu laço, que me esperneio!…
5-4-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Galo Geocêntrico
Edigles Guedes
Galo guerreiro, gabarola, geme
Seu gemido galáctico, gruiforme;
Gado sem gorjeta, cego gráviton
Do grão-vizir; gole galactófago!…
À guisa de gato grunhindo gelo,
Galgando gaios gestos, gaiatos grânulos
De gaiola com legume — gaudioso glúon…
Gênio galante, gigante geófago.
Grão-turco grasna golfe gongórico;
Gongolo graúlho a golpear galênico
Golfo graúdo de golquíper oógamo!…
Gozoso gavião sem gasto, sem ganho.
Gota a gaguejar Golias de golfinho
No geocêntrico galo polígamo!…
4-3-2010.
Galo guerreiro, gabarola, geme
Seu gemido galáctico, gruiforme;
Gado sem gorjeta, cego gráviton
Do grão-vizir; gole galactófago!…
À guisa de gato grunhindo gelo,
Galgando gaios gestos, gaiatos grânulos
De gaiola com legume — gaudioso glúon…
Gênio galante, gigante geófago.
Grão-turco grasna golfe gongórico;
Gongolo graúlho a golpear galênico
Golfo graúdo de golquíper oógamo!…
Gozoso gavião sem gasto, sem ganho.
Gota a gaguejar Golias de golfinho
No geocêntrico galo polígamo!…
4-3-2010.
Noite Pulcra e Peralta
Edigles Guedes
No rodapé da calçada, eu navego
As horas de ignóbil caminho avante!…
Perseguir-me-á, cravada em poste cego,
A lâmpada elétrica, doravante…
Evanescente sombra que me angustia…
Por que me segues em noite regada
Por penumbras das pernas rotas da tia
Lua? — Seara de nostalgia malfadada…
É esta em que me bebo a moléstia suja
Das horas engendradas por suicidas
Mandíbulas do ser que era eu… Enferruja
Em mim os motins de navio pirata;
Gruda em mim teu beijo, que me homicida
Na bacia da noite pulcra e peralta!…
4-3-2010.
No rodapé da calçada, eu navego
As horas de ignóbil caminho avante!…
Perseguir-me-á, cravada em poste cego,
A lâmpada elétrica, doravante…
Evanescente sombra que me angustia…
Por que me segues em noite regada
Por penumbras das pernas rotas da tia
Lua? — Seara de nostalgia malfadada…
É esta em que me bebo a moléstia suja
Das horas engendradas por suicidas
Mandíbulas do ser que era eu… Enferruja
Em mim os motins de navio pirata;
Gruda em mim teu beijo, que me homicida
Na bacia da noite pulcra e peralta!…
4-3-2010.
Reparas
Edigles Guedes
Reparas no riacho… ele late mágoas
Na lata do lixo. No assoalho limpo
Da sala de estar, há um tapete guapo,
Que sorri do perigo dos pés — águas,
Que em moinho, espezinham as dermatoses.
Reparas no arroio… ele sangra valente
Seu canto de pássaro alvinitente,
Na manhã leopardo de celulose.
Reparas no fiapo d’água, que escorre
Da pia… ele não reclama; sequer se fia
Na fortaleza que há em ausente torre
De alumínio e detergente. Reparas
No rio imprecatado e liso, que se afia
Nas pedras de engaste, com tais texturas…
4-3-2010.
Reparas no riacho… ele late mágoas
Na lata do lixo. No assoalho limpo
Da sala de estar, há um tapete guapo,
Que sorri do perigo dos pés — águas,
Que em moinho, espezinham as dermatoses.
Reparas no arroio… ele sangra valente
Seu canto de pássaro alvinitente,
Na manhã leopardo de celulose.
Reparas no fiapo d’água, que escorre
Da pia… ele não reclama; sequer se fia
Na fortaleza que há em ausente torre
De alumínio e detergente. Reparas
No rio imprecatado e liso, que se afia
Nas pedras de engaste, com tais texturas…
4-3-2010.
Girafa em tom Gráfico
Edigles Guedes
Girafa das horas órfãs, orgânico
Cântico dos ponteiros, em desacerto
De segundos, aos pés bastante malucos
De centopeia galante. Traumas cobertos
Por vestígios de auroras frustradas; tanto
Tempo deserto pelo atroz platelminto
De versos, em cólica de ser; os cantos
De meus desencantos a mentir. Eu sinto
A gravidade pungente das agruras,
Chagas abertas no canal de Suez em mim!
Eu sinto a voz frita — calabresa escura
Na frigideira da vida — ardendo ártico
No meu ser. Girafa, em zoológico jardim,
Não sabe se vai ou fica, em tom gráfico!…
4-3-2010.
Girafa das horas órfãs, orgânico
Cântico dos ponteiros, em desacerto
De segundos, aos pés bastante malucos
De centopeia galante. Traumas cobertos
Por vestígios de auroras frustradas; tanto
Tempo deserto pelo atroz platelminto
De versos, em cólica de ser; os cantos
De meus desencantos a mentir. Eu sinto
A gravidade pungente das agruras,
Chagas abertas no canal de Suez em mim!
Eu sinto a voz frita — calabresa escura
Na frigideira da vida — ardendo ártico
No meu ser. Girafa, em zoológico jardim,
Não sabe se vai ou fica, em tom gráfico!…
4-3-2010.
Amargo fel Solteiro
Edigles Guedes
Gotícula de fel na injeção do ser:
É assim a poeira da noite escabrosa,
Que invade a terra do nunca — jamais ter
Do que se regozijar. Tenebrosa
Madrugada — infecção vã que se alastra
Pela inércia das paredes do quarto
Contíguo; e traspassa a funesta letra
Inscrita na bolha de sabão: farto
Dos poucos minutos de vida arterial!
Há uma pulga atrás da orelha, vestida
De verme e vergonha cervicobraquial;
Há um agastamento bem sorrateiro,
Na minha esperança com desvalida
Gotícula de amargo fel solteiro!…
4-3-2010.
Gotícula de fel na injeção do ser:
É assim a poeira da noite escabrosa,
Que invade a terra do nunca — jamais ter
Do que se regozijar. Tenebrosa
Madrugada — infecção vã que se alastra
Pela inércia das paredes do quarto
Contíguo; e traspassa a funesta letra
Inscrita na bolha de sabão: farto
Dos poucos minutos de vida arterial!
Há uma pulga atrás da orelha, vestida
De verme e vergonha cervicobraquial;
Há um agastamento bem sorrateiro,
Na minha esperança com desvalida
Gotícula de amargo fel solteiro!…
4-3-2010.
Ao Romper Boca Bilíngue
Edigles Guedes
Desata-me a madrugada do ovário da noite.
A insônia das horas consome o relógio — grito
De toureiro com espada, na mão, e grande sorte
De capa vermelha, na esquerda de seu anélito.
Ainda ouço no frufrulhar de lençóis nossa cama:
Ebulição de orgasmos; travesseiros despidos
De lua e estrelas. Eis que fora começa a toleima
Dos automóveis em suas inépcias. O carpido
Coração, aleijão de amores, manqueja de perna
Torta. Está meditabundo; pois, a essa hora, os lençóis
Vazios dilatam vera solidão de baderna —
A solidão de abajur co’uma lucerna tênue.
Eu quero mui a mulher de desejos em caracóis,
Parida em minha cama, ao romper boca bilíngue!…
4-3-2010.
Desata-me a madrugada do ovário da noite.
A insônia das horas consome o relógio — grito
De toureiro com espada, na mão, e grande sorte
De capa vermelha, na esquerda de seu anélito.
Ainda ouço no frufrulhar de lençóis nossa cama:
Ebulição de orgasmos; travesseiros despidos
De lua e estrelas. Eis que fora começa a toleima
Dos automóveis em suas inépcias. O carpido
Coração, aleijão de amores, manqueja de perna
Torta. Está meditabundo; pois, a essa hora, os lençóis
Vazios dilatam vera solidão de baderna —
A solidão de abajur co’uma lucerna tênue.
Eu quero mui a mulher de desejos em caracóis,
Parida em minha cama, ao romper boca bilíngue!…
4-3-2010.
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