Edigles Guedes
Deitei às mãos as madrugadas insones,
Enquanto o meu travesseiro sonhava
Com essas lágrimas de crocodilo…
Não sei o que te digo ao pé desse ouvido
De mercador, se o que te falo nada
Te comoves: vás partir! — aerofone
Lírico e musical, que se inflamava
Com teus lábios de ninfa sem asilo…
Destarte, nosso Amor de cão lambido
Não passa de uma farsa malfadada!…
Dama, de pilhéria comigo, dizes
Que eu sou um vagabundo a contar estrelas…
Quem me dera findar esses felizes
Cálculos, e contar tua história bela!…
24-10-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Refrães Bucólicos
Edigles Guedes
Sua mão lívida fechou-me os vãos do coração;
Aterrou-me os poços, que eu, lamentavelmente,
Cavei para dessedentar-me a sede clara,
Como o sol do meio-dia, nessa terra de sertão…
Sua mão casta, com sorriso de marfim, sente
A textura da minha pele suave e avara
Por recrear-se consigo em delírios — gráficos
De Amor olvido e, hoje, relembrado no poema
Escrito na árvore do bosque das araras…
Embala-me sua mão rota com as lágrimas,
Que regaram o jardim de utopias e ricos
Dissabores do dia a dia… Que aljôfar (cítara
Da minh’alma) persiste em cantar, melancólico,
Essa cólica de meus refrães bucólicos!…
24-10-2010.
Sua mão lívida fechou-me os vãos do coração;
Aterrou-me os poços, que eu, lamentavelmente,
Cavei para dessedentar-me a sede clara,
Como o sol do meio-dia, nessa terra de sertão…
Sua mão casta, com sorriso de marfim, sente
A textura da minha pele suave e avara
Por recrear-se consigo em delírios — gráficos
De Amor olvido e, hoje, relembrado no poema
Escrito na árvore do bosque das araras…
Embala-me sua mão rota com as lágrimas,
Que regaram o jardim de utopias e ricos
Dissabores do dia a dia… Que aljôfar (cítara
Da minh’alma) persiste em cantar, melancólico,
Essa cólica de meus refrães bucólicos!…
24-10-2010.
Ano Novo
Edigles Guedes
Na penumbra do quebra-luz, tenra pintura
Tua se insinua entre a luz e a escuridão da noite…
Fogos de artifícios anunciam o ano novo,
Que bate às portas de bobos casais cingidos
De branco na praça municipal… Securas
De sentidos brindam comigo o belo açoite
Que levei às costas por amor correspondido
De mal a pior, como casca ou gema sem ovo!…
O peru, que sobrou do Natal, cabisbaixo,
Está com suas pernas estendidas no forno.
A cozinheira prepara a mesa para a ceia…
Meus olhos viajam, por entre facas e alcateias,
Até encontrarem teus olhos despidos, mornos
De saudade; e nós brincávamos de pique-baixo!…
23-10-2010.
Na penumbra do quebra-luz, tenra pintura
Tua se insinua entre a luz e a escuridão da noite…
Fogos de artifícios anunciam o ano novo,
Que bate às portas de bobos casais cingidos
De branco na praça municipal… Securas
De sentidos brindam comigo o belo açoite
Que levei às costas por amor correspondido
De mal a pior, como casca ou gema sem ovo!…
O peru, que sobrou do Natal, cabisbaixo,
Está com suas pernas estendidas no forno.
A cozinheira prepara a mesa para a ceia…
Meus olhos viajam, por entre facas e alcateias,
Até encontrarem teus olhos despidos, mornos
De saudade; e nós brincávamos de pique-baixo!…
23-10-2010.
Pérfida Senhora
Edigles Guedes
Por que limpais uma lágrima com o lenço
De vossa mãe falecida há tão pouco tempo?…
Se essa lágrima não é de arrependimento;
Mas sim, de remorso e fosso — desse engrimanço
Teu para enganar-me com o charme hipertenso
De uma lágrima caduca, de passatempo…
Oh! sinceramente não sei que sentimento
Foi esse que me mordeu as têmporas e os remansos
Do meu coração apetecível e sereno!…
Deveras, o lenço, que acenais na mão destra,
Causa-me esse desassossego fumígeno!…
Ah! pérfida Senhora, fostes vós?… Matastes
De desgosto e fel vossa mãe, vossa madrasta
De bons conselhos, por não me amar como dantes?…
23-10-2010.
Por que limpais uma lágrima com o lenço
De vossa mãe falecida há tão pouco tempo?…
Se essa lágrima não é de arrependimento;
Mas sim, de remorso e fosso — desse engrimanço
Teu para enganar-me com o charme hipertenso
De uma lágrima caduca, de passatempo…
Oh! sinceramente não sei que sentimento
Foi esse que me mordeu as têmporas e os remansos
Do meu coração apetecível e sereno!…
Deveras, o lenço, que acenais na mão destra,
Causa-me esse desassossego fumígeno!…
Ah! pérfida Senhora, fostes vós?… Matastes
De desgosto e fel vossa mãe, vossa madrasta
De bons conselhos, por não me amar como dantes?…
23-10-2010.
Peito de Apolo
Edigles Guedes
De ordinário, caminhavas encantadora…
Nos teus olhos, tremia lágrima cruel e tola,
Como água de uma tempestade num cálice
Azul de bondade!… Ó vil criatura! que fora
Eu, pois jamais imaginei sua farândola
De desditas!… Ó lágrimas! que em ti denguices
Desperta nesse corpo de mulher carente…
Eu careço dessa tempestade, que são olhos
Teus, a vagar por entre as nuvens das auroras…
Eu careço desse cálice tão silente
De teus beijos — na tua saliva, eis que me molho!…
Ó princesa, amanheces em mim, como outrora!…
Eu quero enxugar tua lágrima no meu colo
De carinho e zelo, no meu peito de Apolo…
22-10-2010.
De ordinário, caminhavas encantadora…
Nos teus olhos, tremia lágrima cruel e tola,
Como água de uma tempestade num cálice
Azul de bondade!… Ó vil criatura! que fora
Eu, pois jamais imaginei sua farândola
De desditas!… Ó lágrimas! que em ti denguices
Desperta nesse corpo de mulher carente…
Eu careço dessa tempestade, que são olhos
Teus, a vagar por entre as nuvens das auroras…
Eu careço desse cálice tão silente
De teus beijos — na tua saliva, eis que me molho!…
Ó princesa, amanheces em mim, como outrora!…
Eu quero enxugar tua lágrima no meu colo
De carinho e zelo, no meu peito de Apolo…
22-10-2010.
Uma Foto de Nosso luau
Edigles Guedes
Deste-me um beijo de chocolate. A janela
Do tílburi estremeceu-se da sua cabeça
Aos pés do cocheiro, que chicoteava veloz
O cavalo baio… Tu coravas, amarela
De vergonha, diante do sobressalto à beça
Do pangaré… Enquanto eu agarrava-me co’ atroz
Esperança à ilusão de que Amor jamais fugia
A galope de seu destino — fado amigo!…
Enganei-me, como se deixa enganar todo
Caríssimo coração apaixonado… Rugia,
Então, em mim, esse desespero!… Cá comigo,
Eu que disse: — É melhor guardar no cofre da nau
Memória esse inseto momento que, a rodo,
Sofrer de Amor sem uma foto de nosso luau!…
22-10-2010.
Deste-me um beijo de chocolate. A janela
Do tílburi estremeceu-se da sua cabeça
Aos pés do cocheiro, que chicoteava veloz
O cavalo baio… Tu coravas, amarela
De vergonha, diante do sobressalto à beça
Do pangaré… Enquanto eu agarrava-me co’ atroz
Esperança à ilusão de que Amor jamais fugia
A galope de seu destino — fado amigo!…
Enganei-me, como se deixa enganar todo
Caríssimo coração apaixonado… Rugia,
Então, em mim, esse desespero!… Cá comigo,
Eu que disse: — É melhor guardar no cofre da nau
Memória esse inseto momento que, a rodo,
Sofrer de Amor sem uma foto de nosso luau!…
22-10-2010.
Pele de Carmesim
Edigles Guedes
Quando sentas nos meus joelhos,
A perna fica-te, sonsa,
Pendendo de cá para lá,
Como um pêndulo e aparelhos
De bom relojoeiro… Mansa
Voz afaga-me… Que opalas
São as tuas mãos!… Devagar, como
A caspa sem asma, eu fio-me
Nos teus cabelos tão louros
Para acudirem, sim, a mim
Os teus beijos flamívomos…
Susténs os chinelos, firmes,
Com os dedinhos calouros
E tua pele de carmesim…
22-10-2010.
Quando sentas nos meus joelhos,
A perna fica-te, sonsa,
Pendendo de cá para lá,
Como um pêndulo e aparelhos
De bom relojoeiro… Mansa
Voz afaga-me… Que opalas
São as tuas mãos!… Devagar, como
A caspa sem asma, eu fio-me
Nos teus cabelos tão louros
Para acudirem, sim, a mim
Os teus beijos flamívomos…
Susténs os chinelos, firmes,
Com os dedinhos calouros
E tua pele de carmesim…
22-10-2010.
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