Edigles Guedes
Por que me trouxes a este lago de pérfidas
Ilusões?... Se sabias que sou homem de acanhadas
Palavras na boca mofina e desgrenhada...
Se sabias que boas conversações e fingidas
Juras de Amor me dizias tão placidamente,
Como as águas deste lago e suas correntes...
Ah! feroces águas, que prendem o meu jeito
Ao peito da minha amada... No meu leito
De Amor eu quero os teus beijos aleivosos...
Ah! atroces águas, que inundam o meu tão nobre
Ser com esse desejo assaz cobiçoso!...
Por que me trouxes a este lago?... Se me não crês,
Se eu sou para ti metal tão vil como o cobre…
Ah! veloce lago cândido, que me é cortês…
15-10-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Canto de Moinho Monso
Edigles Guedes
Cada qual canta como lhe ajuda a garganta,
Diz o bom e velho provérbio popular...
Contudo, eu (que me desvaneço ao especular
Sobre as causas de minha pústula infanta)
Já não sei que padecimento é este, que me vai
N’alma assomando, assim devagarinho, sonso;
Já não sei porque tal falecimento se esvai
De meu legítimo canto de moinho monso...
Ó dolorosa garganta!... Que me não convém
Admoestar esta dor ladina no meu peito!...
Pois, os males de Amor não se espantam com cantar,
Inda que seja canto de sereias... Ai! que vem
Em mim o sofrer pérvio por Amor eleito!...
Pois, de males de Amor sentimos nau a navegar!...
15-10-2010.
Cada qual canta como lhe ajuda a garganta,
Diz o bom e velho provérbio popular...
Contudo, eu (que me desvaneço ao especular
Sobre as causas de minha pústula infanta)
Já não sei que padecimento é este, que me vai
N’alma assomando, assim devagarinho, sonso;
Já não sei porque tal falecimento se esvai
De meu legítimo canto de moinho monso...
Ó dolorosa garganta!... Que me não convém
Admoestar esta dor ladina no meu peito!...
Pois, os males de Amor não se espantam com cantar,
Inda que seja canto de sereias... Ai! que vem
Em mim o sofrer pérvio por Amor eleito!...
Pois, de males de Amor sentimos nau a navegar!...
15-10-2010.
De Mentira e Engodo Vive o Amor a Mendigar?
Edigles Guedes
Por que de mentira e engodo vive o Amor só?...
Por que mentes descaradamente, quando
Afirmas que sentes tão somente remorso,
Por me afligir com tuas mentiras?... Sopesando
Em meu peito vil esta dor sem cotovelos,
Que me atropela os sentimentos embotados...
Eu sou do peixe, a isca: um doce caramelo
De ilusão infinda... Pensamentos embuçados
Engodam o meu ser de papel almaço!...
Meu ser que me é tão enganado com os maus tratos
De Amor aprumado, ancho... Ó meu ser agraço!...
Quem lhe ensinou que só de mentira e engodo
Vive o Amor a mendigar?... Quem, cego e sem tato,
Aprende que de Amor se pesca o ser lodo?...
15-10-2010.
Por que de mentira e engodo vive o Amor só?...
Por que mentes descaradamente, quando
Afirmas que sentes tão somente remorso,
Por me afligir com tuas mentiras?... Sopesando
Em meu peito vil esta dor sem cotovelos,
Que me atropela os sentimentos embotados...
Eu sou do peixe, a isca: um doce caramelo
De ilusão infinda... Pensamentos embuçados
Engodam o meu ser de papel almaço!...
Meu ser que me é tão enganado com os maus tratos
De Amor aprumado, ancho... Ó meu ser agraço!...
Quem lhe ensinou que só de mentira e engodo
Vive o Amor a mendigar?... Quem, cego e sem tato,
Aprende que de Amor se pesca o ser lodo?...
15-10-2010.
Coração Afogueado
Edigles Guedes
Quando se está com o coração afogueado, é notório
Sentir estes insondáveis fulgores e arrepios,
Subindo, como avalanche, pelo tão simplório
Dorso de homem feito ao fio da espada e seu cardápio…
Por isso, não ensejo enevoar a alegria de lábios
Tão femininos quanto os teus!… Por isso, não ensejo
Privar os teus lábios de parcos sorrisos!… Sábios
Desejos de parvos desvanecem meus bafejos
Da sorte — encontro-me despido da pura razão
De ser uma mera marionete nas mãos sujas
Da fortuna pálida, sem um pingo de sazão!…
E, quando se está com o coração afogueado,
Bastante abrasado por Amor laçado; seja
Dia, seja noite, é bom de Amor estar afogado!…
15-10-2010.
Quando se está com o coração afogueado, é notório
Sentir estes insondáveis fulgores e arrepios,
Subindo, como avalanche, pelo tão simplório
Dorso de homem feito ao fio da espada e seu cardápio…
Por isso, não ensejo enevoar a alegria de lábios
Tão femininos quanto os teus!… Por isso, não ensejo
Privar os teus lábios de parcos sorrisos!… Sábios
Desejos de parvos desvanecem meus bafejos
Da sorte — encontro-me despido da pura razão
De ser uma mera marionete nas mãos sujas
Da fortuna pálida, sem um pingo de sazão!…
E, quando se está com o coração afogueado,
Bastante abrasado por Amor laçado; seja
Dia, seja noite, é bom de Amor estar afogado!…
15-10-2010.
Dama sem Apólices
Edigles Guedes
Eis que a Dama se achega, bonita e empertigada,
Com seu vestido de chita rodada; prendada
Moça balança-se ao colo de zéfiro — vento
Que passa em seu caminhar de cágado bem lento…
Que lufada é esta, a qual se introduz de supetão no
Tecido alvo da cor da neve de minha Dama?!…
Ela enrubesce a face da bela lua sem dono;
O olho demais transparente, sem ação, inflama;
O seu andar de andorinha segue-se assaz ritmado.
Ó lufada sagaz!… Que se mostra astuta em luta
Corporal, face a face, co’o vestido mimado!…
Enquanto isso, eu (pobre homem de percalços e óbices)
Ensejo ser o zéfiro afável — que aeronauta
Desbrava os sete ares da Dama sem apólices!…
14-10-2010.
Eis que a Dama se achega, bonita e empertigada,
Com seu vestido de chita rodada; prendada
Moça balança-se ao colo de zéfiro — vento
Que passa em seu caminhar de cágado bem lento…
Que lufada é esta, a qual se introduz de supetão no
Tecido alvo da cor da neve de minha Dama?!…
Ela enrubesce a face da bela lua sem dono;
O olho demais transparente, sem ação, inflama;
O seu andar de andorinha segue-se assaz ritmado.
Ó lufada sagaz!… Que se mostra astuta em luta
Corporal, face a face, co’o vestido mimado!…
Enquanto isso, eu (pobre homem de percalços e óbices)
Ensejo ser o zéfiro afável — que aeronauta
Desbrava os sete ares da Dama sem apólices!…
14-10-2010.
Presa sem Oferta
Edigles Guedes
Na realidade, estás farta de ouvir travessuras
De amores, como se o menino Cupido, brando,
Estivesse a debochar das flechas. Nessa altura,
Tu gargalhas às bandeiras despregadas. Pando
Ventre o meu ri de mim mesmo; afinal, palhaço
Eu fui, quando me deixei lograr pela beleza
De mulher madura. Quão tolo bicho no laço
Da fantasia de amar é o homem!… Sim, tenho certeza
Que há mais veneno na lábia duma mulher dama
Do que na garganta de políticos mesquinhos!…
Elas agem tal como serpente sem escamas:
Preparam o bote e enlaçam a vítima. E fartas,
Esguias, vão-se para longe do corpo e sequinhos
Ossos. Por isso, sorris: eu — presa sem oferta!…
14-10-2010.
Na realidade, estás farta de ouvir travessuras
De amores, como se o menino Cupido, brando,
Estivesse a debochar das flechas. Nessa altura,
Tu gargalhas às bandeiras despregadas. Pando
Ventre o meu ri de mim mesmo; afinal, palhaço
Eu fui, quando me deixei lograr pela beleza
De mulher madura. Quão tolo bicho no laço
Da fantasia de amar é o homem!… Sim, tenho certeza
Que há mais veneno na lábia duma mulher dama
Do que na garganta de políticos mesquinhos!…
Elas agem tal como serpente sem escamas:
Preparam o bote e enlaçam a vítima. E fartas,
Esguias, vão-se para longe do corpo e sequinhos
Ossos. Por isso, sorris: eu — presa sem oferta!…
14-10-2010.
Lábios de Lince
Edigles Guedes
Sentada ao pé da escada, como quem nada quer,
Deixas ficar tua destreza, linda donzela!…
Destreza de caçadora impiedosa a vencer
O bárbaro leão, convicto de suas mazelas;
Destreza de marinheiro co’a mão no leme
A enfrentar corajosamente mil procelas,
Furacões, tempestades, tufões, nada teme;
Destreza de fera: instintivamente aquela,
Que de um salto só ou rugido cadente, freme
Seu estrondoso grito, lépido de fascínio!…
Confortáveis, ao ouvido, estão as tuas mãos íngremes
A soletrar a letra miúda de um romance.
Teus olhos fulgem devagar; quando, ao declínio
Do sol, findas de ler os meus lábios de lince!…
14-10-2010.
Sentada ao pé da escada, como quem nada quer,
Deixas ficar tua destreza, linda donzela!…
Destreza de caçadora impiedosa a vencer
O bárbaro leão, convicto de suas mazelas;
Destreza de marinheiro co’a mão no leme
A enfrentar corajosamente mil procelas,
Furacões, tempestades, tufões, nada teme;
Destreza de fera: instintivamente aquela,
Que de um salto só ou rugido cadente, freme
Seu estrondoso grito, lépido de fascínio!…
Confortáveis, ao ouvido, estão as tuas mãos íngremes
A soletrar a letra miúda de um romance.
Teus olhos fulgem devagar; quando, ao declínio
Do sol, findas de ler os meus lábios de lince!…
14-10-2010.
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