Rechonchudinha: chupeta de criança
Plantada ao contrário na árvore – cano
De descarga. Quem sabe?… Uma esperança
Verde de milagres bem espartanos,
Flutuando em sua nau por guerra escondida
Entre estômago, intestino e sua boca…
A gula aguda que agulha a ferida
Da úlcera gástrica em gluglu de foca,
No espetáculo do circo estomacal.
Quando a vejo, ó boa bacia sanitária,
Os meus olhos enchem-se com pá de cal!…
Pois, lembro-me da azia e má digestão,
Lembro-me as hemorroidas solitárias,
E o jornal lido no trono sem razão.
03/08/2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Navega em mim
Edigles Guedes
Navega em mim a solidão das horas
Sem pudor da tarde alva. Tarde calva:
De substantivos ermos, adjetivos
Estropiados, advérbios deletérios…
Navega em mim um mar colosso e afora,
Sem escrúpulos das horas fuscalvas,
Porquanto o tempo é degenerativo
E imperdoável em seu giro ─ vozerio
Das engrenagens de relógio infindo.
Navega em mim esse grande estrupício:
O Amor, nem sempre todo bem-avindo,
Nem sempre em mim bastante compreendido…
Mas que persiste, tal como no hospício
Um lunático de siso encardido!…
02/08/2010.
Navega em mim a solidão das horas
Sem pudor da tarde alva. Tarde calva:
De substantivos ermos, adjetivos
Estropiados, advérbios deletérios…
Navega em mim um mar colosso e afora,
Sem escrúpulos das horas fuscalvas,
Porquanto o tempo é degenerativo
E imperdoável em seu giro ─ vozerio
Das engrenagens de relógio infindo.
Navega em mim esse grande estrupício:
O Amor, nem sempre todo bem-avindo,
Nem sempre em mim bastante compreendido…
Mas que persiste, tal como no hospício
Um lunático de siso encardido!…
02/08/2010.
Uma Colher de Sede
Edigles Guedes
Quanto mais me amavas, mais eu te perdia.
Porque no jogo do amor é assim: nem dia,
Nem hora marcada existem para o Amor
Deixar sua marca registrada ─ clamor
Dos calos na mão do coração ingrato!
O Amor é um chato: velozes sapatos
E umas sandálias Havaianas no dorso.
Há sempre na boca o gelo remorso
Pelo beijo que não nos concedemos,
Há os desencontros irreconciliáveis
De mãos sem afagos. Nós esquecemos
O quão difícil é viver sem paredes
E portas trancadas. Quem sabe?… Talvez
O Amor nos dê uma colher de sede!
01/08/2010.
Quanto mais me amavas, mais eu te perdia.
Porque no jogo do amor é assim: nem dia,
Nem hora marcada existem para o Amor
Deixar sua marca registrada ─ clamor
Dos calos na mão do coração ingrato!
O Amor é um chato: velozes sapatos
E umas sandálias Havaianas no dorso.
Há sempre na boca o gelo remorso
Pelo beijo que não nos concedemos,
Há os desencontros irreconciliáveis
De mãos sem afagos. Nós esquecemos
O quão difícil é viver sem paredes
E portas trancadas. Quem sabe?… Talvez
O Amor nos dê uma colher de sede!
01/08/2010.
Manhã de Inspiração
Edigles Guedes
Creia-me: o vento sopra. E o rio (que há em mim) flutua
Qual barquinho de papel ─ Parmênides
Ontológico em estátua perpétua.
Brinco com a desenhada efélide
Em teu umbigo felpudo, de pelúcia.
O ouro do sol atravessa a janela,
Bem nutrida dos suspiros e bafos
Entrelaçados. Manhã de inspiração:
Eu e ela sobraçados, a nau carícia
Em naufrágio de lágrimas. Cadela
Vira-lata deambula, desabafo
De faro catando lixo. Numa ação
Repentina o vento sopra, levando
Consigo a memória esdrúxula de aedo…
31/07/2010
Creia-me: o vento sopra. E o rio (que há em mim) flutua
Qual barquinho de papel ─ Parmênides
Ontológico em estátua perpétua.
Brinco com a desenhada efélide
Em teu umbigo felpudo, de pelúcia.
O ouro do sol atravessa a janela,
Bem nutrida dos suspiros e bafos
Entrelaçados. Manhã de inspiração:
Eu e ela sobraçados, a nau carícia
Em naufrágio de lágrimas. Cadela
Vira-lata deambula, desabafo
De faro catando lixo. Numa ação
Repentina o vento sopra, levando
Consigo a memória esdrúxula de aedo…
31/07/2010
Soneto de pé Quebrado
Edigles Guedes
Caiu o sobrolho da tarde na figura anônima
Da mulher primaveril. Asco, ânsia, vômito:
Passeiam, lado a lado, com minha boquiaberta alma.
Estou só, e a lembrança de perfume do indômito
Coração poreja na pele do meu cérebro.
É tudo impróprio para menores de dezoito
Anos? Eu tenho uma alma avessa a certos adultos?
É tudo tão bruma em sua lógica de tal grego
Aristotélico? Que nos é proibido pensar
Com nossas pernas no Amor que se foi ─ que se perdeu.
E haja pernas minúsculas e sem músculos!…
Eu sou aquela andorinha em doce e frívolo penar.
Aquela que pousou na janela e se rendeu
Ao teu pesar com charminho, à tua voz de bruços!…
30/07/2010.
Caiu o sobrolho da tarde na figura anônima
Da mulher primaveril. Asco, ânsia, vômito:
Passeiam, lado a lado, com minha boquiaberta alma.
Estou só, e a lembrança de perfume do indômito
Coração poreja na pele do meu cérebro.
É tudo impróprio para menores de dezoito
Anos? Eu tenho uma alma avessa a certos adultos?
É tudo tão bruma em sua lógica de tal grego
Aristotélico? Que nos é proibido pensar
Com nossas pernas no Amor que se foi ─ que se perdeu.
E haja pernas minúsculas e sem músculos!…
Eu sou aquela andorinha em doce e frívolo penar.
Aquela que pousou na janela e se rendeu
Ao teu pesar com charminho, à tua voz de bruços!…
30/07/2010.
Eucarionte de mim
Edigles Guedes
Sentado na espreguiçadeira tosca,
Eu animo-me com o canto maduro
Do sabiá-laranjeira. A semântica
Das horas gorjeia entre aplausos e apuros.
Eu encontro-me de mim para comigo,
Quando do beijo em ósculo de Iscariotes,
Retumba em minha face de pascigo
Traído pela Lua ─ esse ácido eucarionte
De mim. Prossigo avante com mácula
Esconsa no meu peito etnográfico.
Vale íngreme, caminho ínvio. Pulula,
Cá dentro, esse chiste de nau. Portugal:
Tão longínquo quanto fotográfico
Nas lembranças de menino ditongal!…
31/07/2010.
Sentado na espreguiçadeira tosca,
Eu animo-me com o canto maduro
Do sabiá-laranjeira. A semântica
Das horas gorjeia entre aplausos e apuros.
Eu encontro-me de mim para comigo,
Quando do beijo em ósculo de Iscariotes,
Retumba em minha face de pascigo
Traído pela Lua ─ esse ácido eucarionte
De mim. Prossigo avante com mácula
Esconsa no meu peito etnográfico.
Vale íngreme, caminho ínvio. Pulula,
Cá dentro, esse chiste de nau. Portugal:
Tão longínquo quanto fotográfico
Nas lembranças de menino ditongal!…
31/07/2010.
Ando no Uivo da lua
Edigles Guedes
Porta que se abre para dentro de mim;
Como lata de sardinha enlatada,
Aberta por meio de abridor de lata;
Como se desabrocha flor de jasmim
Dentro do jardim de poemas… Que porta
De escárnio na minha carne! Balada
De Manuel Bandeira sem estrela chata
Para a vida inteira!… Amnésia que corta
O bagaço da hérnia de disco em pele
De poeira. Por que a vida é dor que se dói?…
Lamento que se lamente e urocele
Da lua na noite sem ruas ou calçadas
Para os meus sapatos tolos com dodói!…
Ando no uivo da lua, que beira a estrada.
9-4-2010.
Porta que se abre para dentro de mim;
Como lata de sardinha enlatada,
Aberta por meio de abridor de lata;
Como se desabrocha flor de jasmim
Dentro do jardim de poemas… Que porta
De escárnio na minha carne! Balada
De Manuel Bandeira sem estrela chata
Para a vida inteira!… Amnésia que corta
O bagaço da hérnia de disco em pele
De poeira. Por que a vida é dor que se dói?…
Lamento que se lamente e urocele
Da lua na noite sem ruas ou calçadas
Para os meus sapatos tolos com dodói!…
Ando no uivo da lua, que beira a estrada.
9-4-2010.
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