Edigles Guedes
A maçã vermelha, estrela e lustrosa,
Pipoca sua dor rediviva, vasta,
Na janela do meu quarto de casta
Luz solar, adentrando fulgurosa
No meu ser finito e efêmero, melro
Riso ou canto de ferrovia e abismo
De maria-fumaça sem modernismo,
Em linhas geodésicas: quero, quero
Tudo quanto é belo, loa, lero-lero,
Como papagaio cor verde-amarelo.
Oh, sim! a maçã resvalou o chinelo
Do menino Pinóquio sem esmero.
O numeral zero a maçã sobraça;
E os legumes, curiosos, acham graça.
30-8-2011.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Banana Deitada
Edigles Guedes
A banana, desbotada,
Sorri amarela do cesto
De frescas frutas e aladas;
Sequer se lembra do apresto,
Antes de se jogar ao mar
Do céu da boca e salivas
Gustativas de ondas e ar…
Banana – fruta auditiva?
Ou mera brincadeirinha
De roda ou parlenda antiga
Do tempo da Carochinha?
Pois deitada de ouro em berço,
Ela aguarda agra fadiga
De a devorarem um terço!
28-8-2011.
A banana, desbotada,
Sorri amarela do cesto
De frescas frutas e aladas;
Sequer se lembra do apresto,
Antes de se jogar ao mar
Do céu da boca e salivas
Gustativas de ondas e ar…
Banana – fruta auditiva?
Ou mera brincadeirinha
De roda ou parlenda antiga
Do tempo da Carochinha?
Pois deitada de ouro em berço,
Ela aguarda agra fadiga
De a devorarem um terço!
28-8-2011.
A Flor e o Cedro
Edigles Guedes
Lastima-se a Flor da sorte
Que tem debaixo do Cedro:
– Ó dor, que me consome!
Por que chorar pela forte
Chuva, se o Cedro imponente
Sorve os pingos valorosos?…
A árvore, galhos frondosos,
Retruca assaz complacente:
– A Natura bela sabe
O que faz conosco!… Sabre
Afiado devasta lerdo
Bosque tão singelo. Restou
A Flor queixosa. Arrastou
A Chuva o que viu por perto.
24-8-2011.
Lastima-se a Flor da sorte
Que tem debaixo do Cedro:
– Ó dor, que me consome!
Por que chorar pela forte
Chuva, se o Cedro imponente
Sorve os pingos valorosos?…
A árvore, galhos frondosos,
Retruca assaz complacente:
– A Natura bela sabe
O que faz conosco!… Sabre
Afiado devasta lerdo
Bosque tão singelo. Restou
A Flor queixosa. Arrastou
A Chuva o que viu por perto.
24-8-2011.
Tuas mãos
Edigles Guedes
Assaltou-me aos olhos hórrida manchete:
Havia um bebê abandonado em tosco galho
De mamoeiro, dentro da mochila, aos frangalhos.
O umbilical cordão choraminga alfinetes!…
Entre incrédulo e indignado, deixei-me ficar
Na poltrona, atarantada com tamanha dor…
Indaguei-me, ensimesmado: – Por onde anda, Amor,
Que não vê agror do inocente, essa infância a minguar?…
Por onde anda, Amor, que não grita manifesto
Contra abominável descaso: que decreto
Gravado vil coração das gentes humanas?…
Amor, aborrecido, responde-me: – Caro
Poeta, não te espantes, pois ainda tens o faro
De teu cão a consolar tuas mãos tão amenas!…
22-8-2011.
Assaltou-me aos olhos hórrida manchete:
Havia um bebê abandonado em tosco galho
De mamoeiro, dentro da mochila, aos frangalhos.
O umbilical cordão choraminga alfinetes!…
Entre incrédulo e indignado, deixei-me ficar
Na poltrona, atarantada com tamanha dor…
Indaguei-me, ensimesmado: – Por onde anda, Amor,
Que não vê agror do inocente, essa infância a minguar?…
Por onde anda, Amor, que não grita manifesto
Contra abominável descaso: que decreto
Gravado vil coração das gentes humanas?…
Amor, aborrecido, responde-me: – Caro
Poeta, não te espantes, pois ainda tens o faro
De teu cão a consolar tuas mãos tão amenas!…
22-8-2011.
Amor em Xícara
Edigles Guedes
A anatômica Xícara,
Enxerida que só ela,
Diz que o bom é sorver, pelas
Narinas, a pícara
Fumaça do torto café.
Oh! Xícara assaz rude,
Bruta que nem grosso grude
Para pipa ou cafuné
De mulher tão perfumosa!
Ah! Xícara fogosa,
De cor marrom, cor de barro,
Terra massapé sem cana-
-De-açúcar, quase plana
De Amor esconso e tão raro!
24-8-2011.
A anatômica Xícara,
Enxerida que só ela,
Diz que o bom é sorver, pelas
Narinas, a pícara
Fumaça do torto café.
Oh! Xícara assaz rude,
Bruta que nem grosso grude
Para pipa ou cafuné
De mulher tão perfumosa!
Ah! Xícara fogosa,
De cor marrom, cor de barro,
Terra massapé sem cana-
-De-açúcar, quase plana
De Amor esconso e tão raro!
24-8-2011.
Pulcro Senão
Edigles Guedes
Rastros de Amor não deixaste,
Ao pisar na areia movediça
Do meu Coração!… Que preguiça
De alçar-te nos meus guindastes
Braços, e abraçar-te, pueril!…
Pés de lãs são os teus, minha Dama!…
De tão leves, soltos na cama,
Prenderam meu cavalo anil!…
Como Unicórnio que corre
Para os braços de fulva virgem;
Meu Coração, da alta torre
De Amor, despede-se de ti!…
Teu beijo é vértice, vertigem!…
Oh! pulcro senão que parti!…
23-8-2011.
Rastros de Amor não deixaste,
Ao pisar na areia movediça
Do meu Coração!… Que preguiça
De alçar-te nos meus guindastes
Braços, e abraçar-te, pueril!…
Pés de lãs são os teus, minha Dama!…
De tão leves, soltos na cama,
Prenderam meu cavalo anil!…
Como Unicórnio que corre
Para os braços de fulva virgem;
Meu Coração, da alta torre
De Amor, despede-se de ti!…
Teu beijo é vértice, vertigem!…
Oh! pulcro senão que parti!…
23-8-2011.
Laço Pardo
Edigles Guedes
Degusta-me como fruto
De teus beijos salientes…
Degusta-me como ardente
Canção de Amor enxuto…
Frustra-me o siso ferido
De apaixonada fera…
Frustra-me pernas de cera
E teu queixo escorrido…
Bailarina és, enquanto sou
Soldado roaz de chumbo…
Se valente em mim ficou
Tão fero de Amor leopardo,
Em ti restou qual cubo:
Coração, laço pardo!…
23-8-2011.
Degusta-me como fruto
De teus beijos salientes…
Degusta-me como ardente
Canção de Amor enxuto…
Frustra-me o siso ferido
De apaixonada fera…
Frustra-me pernas de cera
E teu queixo escorrido…
Bailarina és, enquanto sou
Soldado roaz de chumbo…
Se valente em mim ficou
Tão fero de Amor leopardo,
Em ti restou qual cubo:
Coração, laço pardo!…
23-8-2011.
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