Edigles Guedes
Na penumbra do quebra-luz, tenra pintura
Tua se insinua entre a luz e a escuridão da noite…
Fogos de artifícios anunciam o ano novo,
Que bate às portas de bobos casais cingidos
De branco na praça municipal… Securas
De sentidos brindam comigo o belo açoite
Que levei às costas por amor correspondido
De mal a pior, como casca ou gema sem ovo!…
O peru, que sobrou do Natal, cabisbaixo,
Está com suas pernas estendidas no forno.
A cozinheira prepara a mesa para a ceia…
Meus olhos viajam, por entre facas e alcateias,
Até encontrarem teus olhos despidos, mornos
De saudade; e nós brincávamos de pique-baixo!…
23-10-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Pérfida Senhora
Edigles Guedes
Por que limpais uma lágrima com o lenço
De vossa mãe falecida há tão pouco tempo?…
Se essa lágrima não é de arrependimento;
Mas sim, de remorso e fosso — desse engrimanço
Teu para enganar-me com o charme hipertenso
De uma lágrima caduca, de passatempo…
Oh! sinceramente não sei que sentimento
Foi esse que me mordeu as têmporas e os remansos
Do meu coração apetecível e sereno!…
Deveras, o lenço, que acenais na mão destra,
Causa-me esse desassossego fumígeno!…
Ah! pérfida Senhora, fostes vós?… Matastes
De desgosto e fel vossa mãe, vossa madrasta
De bons conselhos, por não me amar como dantes?…
23-10-2010.
Por que limpais uma lágrima com o lenço
De vossa mãe falecida há tão pouco tempo?…
Se essa lágrima não é de arrependimento;
Mas sim, de remorso e fosso — desse engrimanço
Teu para enganar-me com o charme hipertenso
De uma lágrima caduca, de passatempo…
Oh! sinceramente não sei que sentimento
Foi esse que me mordeu as têmporas e os remansos
Do meu coração apetecível e sereno!…
Deveras, o lenço, que acenais na mão destra,
Causa-me esse desassossego fumígeno!…
Ah! pérfida Senhora, fostes vós?… Matastes
De desgosto e fel vossa mãe, vossa madrasta
De bons conselhos, por não me amar como dantes?…
23-10-2010.
Peito de Apolo
Edigles Guedes
De ordinário, caminhavas encantadora…
Nos teus olhos, tremia lágrima cruel e tola,
Como água de uma tempestade num cálice
Azul de bondade!… Ó vil criatura! que fora
Eu, pois jamais imaginei sua farândola
De desditas!… Ó lágrimas! que em ti denguices
Desperta nesse corpo de mulher carente…
Eu careço dessa tempestade, que são olhos
Teus, a vagar por entre as nuvens das auroras…
Eu careço desse cálice tão silente
De teus beijos — na tua saliva, eis que me molho!…
Ó princesa, amanheces em mim, como outrora!…
Eu quero enxugar tua lágrima no meu colo
De carinho e zelo, no meu peito de Apolo…
22-10-2010.
De ordinário, caminhavas encantadora…
Nos teus olhos, tremia lágrima cruel e tola,
Como água de uma tempestade num cálice
Azul de bondade!… Ó vil criatura! que fora
Eu, pois jamais imaginei sua farândola
De desditas!… Ó lágrimas! que em ti denguices
Desperta nesse corpo de mulher carente…
Eu careço dessa tempestade, que são olhos
Teus, a vagar por entre as nuvens das auroras…
Eu careço desse cálice tão silente
De teus beijos — na tua saliva, eis que me molho!…
Ó princesa, amanheces em mim, como outrora!…
Eu quero enxugar tua lágrima no meu colo
De carinho e zelo, no meu peito de Apolo…
22-10-2010.
Uma Foto de Nosso luau
Edigles Guedes
Deste-me um beijo de chocolate. A janela
Do tílburi estremeceu-se da sua cabeça
Aos pés do cocheiro, que chicoteava veloz
O cavalo baio… Tu coravas, amarela
De vergonha, diante do sobressalto à beça
Do pangaré… Enquanto eu agarrava-me co’ atroz
Esperança à ilusão de que Amor jamais fugia
A galope de seu destino — fado amigo!…
Enganei-me, como se deixa enganar todo
Caríssimo coração apaixonado… Rugia,
Então, em mim, esse desespero!… Cá comigo,
Eu que disse: — É melhor guardar no cofre da nau
Memória esse inseto momento que, a rodo,
Sofrer de Amor sem uma foto de nosso luau!…
22-10-2010.
Deste-me um beijo de chocolate. A janela
Do tílburi estremeceu-se da sua cabeça
Aos pés do cocheiro, que chicoteava veloz
O cavalo baio… Tu coravas, amarela
De vergonha, diante do sobressalto à beça
Do pangaré… Enquanto eu agarrava-me co’ atroz
Esperança à ilusão de que Amor jamais fugia
A galope de seu destino — fado amigo!…
Enganei-me, como se deixa enganar todo
Caríssimo coração apaixonado… Rugia,
Então, em mim, esse desespero!… Cá comigo,
Eu que disse: — É melhor guardar no cofre da nau
Memória esse inseto momento que, a rodo,
Sofrer de Amor sem uma foto de nosso luau!…
22-10-2010.
Pele de Carmesim
Edigles Guedes
Quando sentas nos meus joelhos,
A perna fica-te, sonsa,
Pendendo de cá para lá,
Como um pêndulo e aparelhos
De bom relojoeiro… Mansa
Voz afaga-me… Que opalas
São as tuas mãos!… Devagar, como
A caspa sem asma, eu fio-me
Nos teus cabelos tão louros
Para acudirem, sim, a mim
Os teus beijos flamívomos…
Susténs os chinelos, firmes,
Com os dedinhos calouros
E tua pele de carmesim…
22-10-2010.
Quando sentas nos meus joelhos,
A perna fica-te, sonsa,
Pendendo de cá para lá,
Como um pêndulo e aparelhos
De bom relojoeiro… Mansa
Voz afaga-me… Que opalas
São as tuas mãos!… Devagar, como
A caspa sem asma, eu fio-me
Nos teus cabelos tão louros
Para acudirem, sim, a mim
Os teus beijos flamívomos…
Susténs os chinelos, firmes,
Com os dedinhos calouros
E tua pele de carmesim…
22-10-2010.
Demovo-me
Edigles Guedes
Com sapatinhos de cristal, minha donzela
Dança co’o vento — esse cavalheiro invisível…
Rodopios e saracoteios de bailarina
Exímia na arte encantatória de gazela…
Eu perco-me ao olhar sua destreza de circo:
Baila, tal se estivesse a cavalo no vento;
E o vento fosse um potro azul e branco — aprisco
Desses sonhos e fantasias de tremulento?…
Todavia, tudo que é bom, dura muito pouco:
Acabas de redemoinho inacreditável
Nos meus braços de carinho… Eu, que cego e mouco,
Entonteço com seu sagaz charme de fera
E abóbora!… Foi-se como penicilina…
Demovo-me com sua carruagem de megera!…
21-10-2010.
Com sapatinhos de cristal, minha donzela
Dança co’o vento — esse cavalheiro invisível…
Rodopios e saracoteios de bailarina
Exímia na arte encantatória de gazela…
Eu perco-me ao olhar sua destreza de circo:
Baila, tal se estivesse a cavalo no vento;
E o vento fosse um potro azul e branco — aprisco
Desses sonhos e fantasias de tremulento?…
Todavia, tudo que é bom, dura muito pouco:
Acabas de redemoinho inacreditável
Nos meus braços de carinho… Eu, que cego e mouco,
Entonteço com seu sagaz charme de fera
E abóbora!… Foi-se como penicilina…
Demovo-me com sua carruagem de megera!…
21-10-2010.
Chove Deveras
Edigles Guedes
Eu encontro-me que deitado
Nessa verde grama enjoada…
Uma nuvem, que magoada,
Passa no céu despeitado
Diz para si mesma: — Eis que
Minha vida é ave sem graça,
Um desengonçado parque
De diversões nessa caça
Por passeios daqui pra acolá!…
O vento, que cavalgado
Anda, disse-lhe: — Carola
Nuvenzinha, inda hoje serás
Chuva… Aliás, de braços dados
Co’a grama, chove deveras!…
21-10-2010.
Eu encontro-me que deitado
Nessa verde grama enjoada…
Uma nuvem, que magoada,
Passa no céu despeitado
Diz para si mesma: — Eis que
Minha vida é ave sem graça,
Um desengonçado parque
De diversões nessa caça
Por passeios daqui pra acolá!…
O vento, que cavalgado
Anda, disse-lhe: — Carola
Nuvenzinha, inda hoje serás
Chuva… Aliás, de braços dados
Co’a grama, chove deveras!…
21-10-2010.
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