Cabide



Urubu perneta suporta calças.
As camisas plangem. Vestido realça
Aparência sóbria, de quem dorido
Rumoreja canto de viés cerzido.

No pernoite, surge um homem fino,
Da grossura cruel de palito. Sino,
Que tilinta, gruda em mim sonido.
Um cachorro lambe o alguém, latido.

Urubu contempla vestuário tido
E flexível, custo de suor banido.
Um relógio cuco enxota a hora,

Que escorre, cru. Ampulheta ora,
Desenreda toda volúpia, agora.
Por enquanto, andejo por aí, afora.

Autor: Edigles Guedes.


Ventilador



Gira, como girafa no zoológico.
Mapa fosco procura o agógico
Rumo. Vento sussurra palavrório.
Prumo toma na vida, decisório.

Pás rodavam, de súpito, os pássaros
Voam parvos. Por cúbico, os lábaros
Seguem trêmulos, como peregrina
Noite. Túmulo cala a canina

Fome. Move o pêndulo das horas.
Sopro longo e séssil. As auroras
Fendem, cedo, a manhã, que empanturra.

Móvel ledo que verga a casmurra
Fronte. Lido com isso à socapa.
Eu que ruído suporto e sobrecapa.

Autor: Edigles Guedes.


Mãos



Tenho duas mãos e os sentimentos.
Destas duas mãos, que me experimentam,
Brindam duas chamas de pensamentos,
Cada qual com ímpar se barafustam.

Destes últimos, restam-me lamentos
Fúteis, mórbidos;
gastam-me sedentos
Risos. Torre se torce em serpentes;
Pisos mirram , conforme cotangentes.

Lisos olhos devoram-me, tormentos
Úteis, frívolos, medram-me. Aguento
Firme, corro, abraço-te. Vivente,

Sinto os pés em lumes que me mutilam.
Cheiro manso acude. Que me fuzilam
Tuas duas mãos, acanhadamente.

Autor: Edigles Guedes.


Senhora na Relva



Refocila na relva ardente
A senhora de garbo fremente.
O bocejo, de quando em quando,
Volitava, da boca bailando.

Atmosfera devora o aroma,
Que a pele exala, diploma
De franzina e formosa madame,
Com as mãos costureiras. Vexame

Que galguei por calar-me o colo,
Que senti por matar-me de tolo,
A batida batuca e cessa.

Por que não lhe dizer? A garrafa
De infortúnio, que dói, fotografa!
O portanto: sorria depressa.

Autor: Edigles Guedes.


Pinote



Ao nascer, galopei a Estrela d’ Alva,
Que brilhava; pondero: trela e calva.
Ao crescer, naveguei estreito mar,
Que bradava; sopeso: leito e lar.

Sorridente, vingou o siso — gato,
Que traquinas, viveu o falso chato.
Diligente, pingou o mel na sopa,
Que salgada, torceu o vento em popa.

O pinote do Amor — cavalo manso
Que solapa o coice brusco e ranço.
A bisonha (que Dor!) veleja oceano

De potocas inúteis. Desço o cano
Da agonia, por onde mordo triste
A fatiga: ocultar o Amor que viste.

Autor: Edigles Guedes.


Beijo Ainda



Estendida sobre a relva canora,
Diligencia beijo fasto e primeiro.
Resistência pus. O bote labora.
De repente, estaca. Dedo vezeiro

Que procura meu cabelo em troca.
Cavalheiro, cedo nuca em palma.
Desatraca remo, mão desemboca
No pescoço meu, bendiz, me espalma.

Me rechaça olhar, fitando flamingo.
O patinho cai no laço em domingo
Promissor. Você me acha e perde.

Desabrocha lábios; beijo sussurra.
A primeira sova acúlea, que surra!
Jacucaca peja, pinta o verde.

Autor: Edigles Guedes.


Bola



Bola que rola no piso
Rijo, cingido de branco.
É necessário atravanco.
Eu alvoreço que friso.

Esse menino com jogo
Mais varonil, que conheço.
Sou polidez, de tropeço.
Amo silêncio, que rogo

Tanto. Barulho que logo
Fúria desperta, ligeira.
Ah! que saudade me queira!

É peripécia que afogo
Minhas prantinas em peito
Brando, cativo deleito.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...