Mangaba



Edigles Guedes

Ouvir delicioso é o teu nome em outros lábios
Carnais, sobretudo, nos de mulher trigueira;
Espectros áureos de Aurora boreal; cegueira
De passagem comprada para a luz dos sábios

Pergaminhos perdidos, vãos, na biblioteca
De Alexandria (rato que fui dos eruditos);
Tais pensares de pensamentos acrófitos,
Que se despregam da terra e sobem peteca

Ou águia para o ápice das montanhas latinas.
Teu nome suscita jóquei de pernas finas
A cavalgar o silêncio da respiração

Sustada, salto acrobático além-barreiras.
Teu nome provoca sensação crua de olheiras,
Depois de noite e êxtase de felina atração.

12-9-2011.

Avião por Dentro


Edigles Guedes

Pacato e pio amanhecer por
Entre mulheres, e facas,
E golfos, e essas matracas -
Curupacos, tacos de Amor!...

A sinuca piu de bico
Que sofre por impossível
Amar: tragédia risível
Dos pequenos paparicos

Do drama ora cotidiano.
Comédia de Aristófanes
É a nuvem de gás butano,

Que qualquer momento explode
Felicidade, nos panes
De avião sem baladas ou odes!...

12-9-2011.

Setembro



Edigles Guedes

Moço mês extravasa
Sua alegria: simplesmente
Nada que, às vezes, vaza
Num cantinho da mente.

Seguem-se os dias, quer felizes,
Quer efêmeros, como
Flores, flocos, deslizes,
Sem campo argirócomo.

Despejam-se desfiles
De solteiras árvores
Na aleia, na praça em bailes

De ginásticas floras.
Eis que se vão os amores,
Mas que se vão co’ esporas.

11-9-2011.

A Estrela



Edigles Guedes

Fulgura tal qual figura
De estanho ou de ouro lavrado;
Carrega parca tristura
Do planeta debelado

Por sua agrura jamais dita,
Ou revelada em pintura
Renascentista – dentista
Que perdeu a broca secura,

Que tais dentes extraviados
Insistem em consultórios
Por perambular, minguados.

Bronco animal que me morde
Da beleza seus calafrios.
Voam violinos sem acordes.

11-9-2011.

O Chuveiro



Edigles Guedes

Heráldico galo a jorrar concriz saliva
Líquida da volúpia e do sonho sono…
Cospe em mim a água potável, reino sem trono,
Donde vieste tão límpida, que me cativa…

Avaro, escorre translúcida que nem cristal
Por respingos de luzes multicoloridas…
Cavalos galopando sem rédeas ou bridas
São as águas macias e marciais de cartão-postal…

Evocam teus pontinhos singelos as tredas
Estrelas em rios constelações acráspedas:
Milímetro a milímetro, conquistas acres

Áreas do meu corpo, cansado das rotinas
Afadigosas, do ramerrão sem cortinas…
Pingos, chuva artificial, caem quedas álacres!…

11-9-2011.

De Morangos em Morangos


Edigles Guedes

Morangos púcaros, pintados de cor centelha,
Assombram o mundo de preto e branco, coceiras
No pé do ouvido ou no braço do nariz. Asneiras
De criança adulta, ao falar o que lhe der na telha.

Morangos húngaros que se amoldam em linguagem
De jaguar ou de onça, furtada do ecológico
Ambiente: salutares matas, morros nanicos;
Plástica língua: boneca bonita bobagem.

Morangos almíscaros: afrodisíacos cheiros
Amontanham no meu incauto cérebro – celeiro
Talco, onde neurônios cantam em uníssona voz!…

Morangos abléfaros: ah! se tivésseis olhos
Para ver o quão cego eu sou!… Mares com abrolhos
Inundam o meu ser carótide diante de vós!…

11-9-2011.

11 de Setembro

Edigles Guedes



Duas torres gêmeas tremulavam a céu aberto,
Como duas andorinhas a brincar co’os ventos;
Hasteadas além, muito aquém dos sentimentos
Pútridos dos homens, cujos corações desertos

Incendeiam de insano ódio pelas vidas alheias.
O primeiro avião melindrou-se brutalmente.
Lágrimas de fogo lamberam tantos entes
Queridos, com aquele atroz mergulho em apneia.

O segundo avião explodiu sua Sorte e angústia;
Detonou bomba de comoções, em voo mortal.
O terceiro, a jato, manifestou sua fúria,

Visitou o Pentágono e nobres companheiros.
O quarto desistiu de passear na capital,
Foi direto ao chão por audazes cavalheiros.

11-9-2011.







Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...