Edigles Guedes
O que esperar de pensamento fugaz?...
Se a Noite é pequena, mas vasto é pensar!…
Ó Dama! esvai-se na ampulheta, a rodear,
A areia: minúscula, estreita, tão loquaz!...
À medida que escorre vidro na areia,
Deixa-se ruminar contentamento
Por Amor platônico – sentimento
De marinheiro por gástrica sereia!...
De tanto pensar, a Noite acorda
Bastante lânguida e dorme vãmente...
O Enforcado – pendurado na corda –
Servia como notícia roaz de jornal,
Porque ainda se morre docemente
Por pensar em Amor bruto e cordial!...
22-8-2011.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Abelha
Edigles Guedes
Como abespinhada abelha-macha,
Mordes de febres mil o atrevido
Amor seresteiro, que se agacha
Para colher a flor mel adido…
Tu eras malandro ser cifozoário,
Desassossego, cega devoção…
Tu eras brevíssimo corolário,
Que não deitava sua demonstração:
Caravela nau sem astrolábio;
Sobrevoo de sopa sem moscardo;
Caduquice de velho coroca…
É mister aprender com os sábios,
Já que dizia popular brocardo:
Cochilou, o cachimbo cai da boca!…
21-8-2011.
Como abespinhada abelha-macha,
Mordes de febres mil o atrevido
Amor seresteiro, que se agacha
Para colher a flor mel adido…
Tu eras malandro ser cifozoário,
Desassossego, cega devoção…
Tu eras brevíssimo corolário,
Que não deitava sua demonstração:
Caravela nau sem astrolábio;
Sobrevoo de sopa sem moscardo;
Caduquice de velho coroca…
É mister aprender com os sábios,
Já que dizia popular brocardo:
Cochilou, o cachimbo cai da boca!…
21-8-2011.
Despedida de Outono
Edigles Guedes
O Vento assoviava navalhamente…
As Folhas farfalhavam sorrateiras,
Bailavam moles Boleros de Ravel,
Ciscavam a Lua e as estrelas belas…
O Outono incendeia cores fluorescentes
Na Floresta de ferro, derradeira,
Aço e concreto… Bênção inestimável
De circuitos integrados, e ruelas,
E válvulas, e porcas mecânicas,
E biônicas mãos com sua tecnologia…
Que mundo de peças eletrônicas
E aparelhos eletrodomésticos
Criamos!… Enquanto pássaros, em orgia
Acústica, despendem-se, acrósticos…
21-8-2011.
O Vento assoviava navalhamente…
As Folhas farfalhavam sorrateiras,
Bailavam moles Boleros de Ravel,
Ciscavam a Lua e as estrelas belas…
O Outono incendeia cores fluorescentes
Na Floresta de ferro, derradeira,
Aço e concreto… Bênção inestimável
De circuitos integrados, e ruelas,
E válvulas, e porcas mecânicas,
E biônicas mãos com sua tecnologia…
Que mundo de peças eletrônicas
E aparelhos eletrodomésticos
Criamos!… Enquanto pássaros, em orgia
Acústica, despendem-se, acrósticos…
21-8-2011.
Esquizofrenia de Açoite
Edigles Guedes
Restou-me o fel, com água e sal…
Meus olhos (quão cabisbaixos)
Lacrimejam peixe abissal,
Que sorri dos contrabaixos,
E rabecões, e violinos…
Quebrou-se a flauta, tão doce
Voz melosa, timbre fino,
Retórica de simploce,
Música endógena, sonho
Em sons flutuantes… Drapejam
As bandeiras dos pidonhos
Amanheceres, que almejam
Viver a insônia sem noite…
Oh! esquizofrenia de açoite!…
20-8-2011.
Restou-me o fel, com água e sal…
Meus olhos (quão cabisbaixos)
Lacrimejam peixe abissal,
Que sorri dos contrabaixos,
E rabecões, e violinos…
Quebrou-se a flauta, tão doce
Voz melosa, timbre fino,
Retórica de simploce,
Música endógena, sonho
Em sons flutuantes… Drapejam
As bandeiras dos pidonhos
Amanheceres, que almejam
Viver a insônia sem noite…
Oh! esquizofrenia de açoite!…
20-8-2011.
Rosa Rubra
Edigles Guedes
Ah! Rosa Rubra mastiga
A dor mais que indigesta!…
O Cravo diz que a amiga
Não sabe contar a gesta.
Rosa Rubra, então, recita
“O Cravo brigou co’a Rosa”.
E salteado de cor, dita
Sua façanha toda prosa!…
O Cravo, jumento bravo,
Escouceia!… Eis que esbraveja!…
Tal qual moeda de centavo,
Espoja-se no duro chão.
Rosa Rubra, lhana, adeja…
Eh! ri que ri do sabichão…
20-8-2011.
Ah! Rosa Rubra mastiga
A dor mais que indigesta!…
O Cravo diz que a amiga
Não sabe contar a gesta.
Rosa Rubra, então, recita
“O Cravo brigou co’a Rosa”.
E salteado de cor, dita
Sua façanha toda prosa!…
O Cravo, jumento bravo,
Escouceia!… Eis que esbraveja!…
Tal qual moeda de centavo,
Espoja-se no duro chão.
Rosa Rubra, lhana, adeja…
Eh! ri que ri do sabichão…
20-8-2011.
Ela, à Porta
Edigles Guedes
Ela bate à porta, atarantada.
Os nós dos dedos doíam, frenéticos,
Mas não se cansavam de bater… Co’unhas
E dentes vis, incansavelmente,
Ela batia à porta, tresloucada.
Os braços erguidos, patéticos,
Suplicavam; e eram testemunhas
Da súplica por uma demente
Gota de Amor no oceano de Mágoas.
Ela baterá à porta… Risos
De desdém sairão – tal muitas águas
Do rio Capibaribe, zombando
Das ribeirinhas casas e lisos
Caranguejos trelosos, aos bandos…
18-8-2011.
Ela bate à porta, atarantada.
Os nós dos dedos doíam, frenéticos,
Mas não se cansavam de bater… Co’unhas
E dentes vis, incansavelmente,
Ela batia à porta, tresloucada.
Os braços erguidos, patéticos,
Suplicavam; e eram testemunhas
Da súplica por uma demente
Gota de Amor no oceano de Mágoas.
Ela baterá à porta… Risos
De desdém sairão – tal muitas águas
Do rio Capibaribe, zombando
Das ribeirinhas casas e lisos
Caranguejos trelosos, aos bandos…
18-8-2011.
Tarde Estética
Edigles Guedes
A da foz tarde desaguou em mim…
Sem Riacho fronteiras, que desmama
A faceira novilha na cama…
Cachoeira de pó com pirlimpimpim,
Tão que só quanto o barco de papel…
A luz do arrebol tange o vermelho
Para pradarias ou praias de artelhos
Ventos, areias, castelos, e tropel
De crianças, e basbaques brinquedos…
A laranja cala magnética
Acolá, longínqua, no penedo…
A de costura máquina do dia
Finda-se, bela numa estética
De James Joyce, o qual me parodia…
18-8-2011.
A da foz tarde desaguou em mim…
Sem Riacho fronteiras, que desmama
A faceira novilha na cama…
Cachoeira de pó com pirlimpimpim,
Tão que só quanto o barco de papel…
A luz do arrebol tange o vermelho
Para pradarias ou praias de artelhos
Ventos, areias, castelos, e tropel
De crianças, e basbaques brinquedos…
A laranja cala magnética
Acolá, longínqua, no penedo…
A de costura máquina do dia
Finda-se, bela numa estética
De James Joyce, o qual me parodia…
18-8-2011.
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