Bom Covil

Edigles Guedes

Proscrito em indumentária
Silvestre, eu (pobre criatura
De carbono e urticária)
Padeço na gramatura

De minha língua baderna!
São tantos estrangeirismos
Andando por aí!… Que eterna
Alma descansa algarismos

Pútridos de vícios sóbrios!
Trago em meu peito varonil
Esse esculacho: mais vale

Um passarinho com seus brios
Voando do que pássaro alarde
No da raposa bom covil…

24-8-2010.

Lira Desafinada

Edigles Guedes

Desalmada mulher dos pesadelos
Meus: o que foi que te aconteceu? Brado
De onça selvagem na caatinga do Meio.
Qual caçador de minério em barroca

Terra, assim é o coração empedernido.
Astuto, meu coração que arrefece
Estes sentimentos nobres!… Sim, bruto
Coração! onde você escondeu o cálido

Amor por donzela em seu cálice?… Ora,
Breve amigo, minutos passilargos de
Suspiros! onde está a bela donzela?…

Eu sei que ela corre perigo. Posto
Que o perigo sou eu!… Tranca-ruas de versos
Afoutos, de lira desafinada!...

22-8-2010.

Espáduas Turvas

Edigles Guedes

Domingo prazenteiro: que desastre
De dia foi o meu, sem uma gota de arte
Nas veias banais da América latrina!…
Eu sofro do sopro incógnito de Amor!

Amor que aflora na curva da escada,
Amor que enamora os bons namorados
De plantão na praça. Bastos coqueiros
Balouçam na cadeira de balanço

Em minha casa. Navios verdes, alto
Mar de cachos ensolarados, chuvas
De agosto que respingam bem quentinhas

Em mim. Oh! brando nó que me desata!
Oh! estupefatas mãos e espáduas turvas!…
Que desassossegam olhos trigueiros!…

22-8-2010.

Magnéticos Olhos

Edigles Guedes

Magnéticos olhos fartos, enfarte
Da minh’alma, tal como esse desgaste
Na lâmina da faca cega e torta
Em seu amolar-se diário em pedra rota.

Magnéticos olhos gástricos, lince
Que se lança em caçada brutal, chance
Nenhuma para a presa, que indefensa,
Foge dali, pula daqui; propensa

A um mugido e ora sus! – a morte certa.
Magnéticos olhos cáusticos, como
Uma xilogravura descoberta

De homem rústico, rupestre, terrestre
Ser que se alegra co’a miséria – assomo
De tal solidariedade pedestre!…

22-8-2010.

Sargaço ao léu

Edigles Guedes

Noite sestra! … Submarino atônito
Na cavalgada da maré cética.
Eu escuto, de memória, as escumas sãs
Do oceano Atlântico com indômito

Amor, gemendo por rochas náufragas,
Sem cor. As algas como epilépticas
Pernas, desafortunadas cortesãs,
Fluem o fluxo e o refluxo das amargas

Águas. Salobro sal de ácido cuspe
Das horas magras, corais marítimos
Sem tons musicais, silêncio apócope

Do sargaço ao léu – tão estreito em sua casa
De lama e esgoto… A praia (poluída) escassa
De banhistas e lamentos bálsamos!…

19-8-2010.

Tosco Marulhar d´Água

Edigles Guedes

Uma equação sem solução aparente –
Assim é o Amor: cego que não vê um palmo
À sua frente. Cego guia de bengala –
Ausente. O Amor é lugar de tementes

Águas conturbadas por procelosas
Ondas sem sal… Mastigo eu, lasso, calmo,
A reminiscência em traje de gala
Da minh’alma. A vida é pernas dengosas?

Turista de minhas pupilas sem dor
De cotovelo para consolá-las,
Eu sigo avante por veredas sem cor!…

Há dias que a tristeza sela tamanduá
Em mim – bicho de dar nó nas estrelas
Gasosas? Ah! tosco marulhar d’água!…

18-8-2010.

Riacho Anil

Edigles Guedes

Tabela de preços sem valor próprio,
Ilustrações sem valia alguma, livro
Da última badalada da meia-noite,
Pensamentos dispersos na latrina!…

A vida no badalo com sorriso
De guizo: gato seio em telha vã, sem pio!…
Repousa na mesa esse marca-livro
Tolo, tão tolo quanto eu!… Artrocondrite

De sentimentos vagos a trafegar!…
Palavras balbuciadas em menina
Boca?… Coração estúpido a estortegar!

Por que a vida há de ser uma dor senil?
Olhos, os teus cabelos, que são bem lisos,
Morena. E eu me acho tal como riacho anil!…

17-8-2010.

Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...