Edigles Guedes
Desata-me a madrugada do ovário da noite.
A insônia das horas consome o relógio — grito
De toureiro com espada, na mão, e grande sorte
De capa vermelha, na esquerda de seu anélito.
Ainda ouço no frufrulhar de lençóis nossa cama:
Ebulição de orgasmos; travesseiros despidos
De lua e estrelas. Eis que fora começa a toleima
Dos automóveis em suas inépcias. O carpido
Coração, aleijão de amores, manqueja de perna
Torta. Está meditabundo; pois, a essa hora, os lençóis
Vazios dilatam vera solidão de baderna —
A solidão de abajur co’uma lucerna tênue.
Eu quero mui a mulher de desejos em caracóis,
Parida em minha cama, ao romper boca bilíngue!…
4-3-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Ceifador de Estrelas
Eu jamais ceifarei estrelas;
Não sou qualquer astrônomo
Co’intuito de conhecê-las.
Conheço de vista o abismo
Que há entre Órion, gigante presto,
E Aldebarã independente.
Estrelas não estão no cesto
De lixo. São: dor de dente
Pra ir ao dentista na quinta?
Não são: a de futebol bola
Pra entrar no gol dessa quarta.
Estrelas são plasmas — gases
Ionizados. Mas assola
No peito essa estrela de ases…
3-4-2010.
Não sou qualquer astrônomo
Co’intuito de conhecê-las.
Conheço de vista o abismo
Que há entre Órion, gigante presto,
E Aldebarã independente.
Estrelas não estão no cesto
De lixo. São: dor de dente
Pra ir ao dentista na quinta?
Não são: a de futebol bola
Pra entrar no gol dessa quarta.
Estrelas são plasmas — gases
Ionizados. Mas assola
No peito essa estrela de ases…
3-4-2010.
Rudes Rugas
Edigles Guedes
Elefantes horas, que desgarradas,
Tecem suas aranhas em teias de amoras
Rupestres; nuvens cândidas, saradas,
Tartamudeiam suas mágoas sem demora!…
O relógio analógico da sala
É tão devagar quanto tartaruga
Marinha. O cuco da caixa — ele fala:
— O que foi feito de tuas rudes rugas?…
Eu respondo meio cordato, prudente:
— Foram pastar capim! Estou tão senil,
Que as rugas estão caindo, decadentes!…
A lâmpada de pele magnética
Espelha seu vidro elétrico e vinil
Numa vitrola quimiossintética!…
3-4-2010.
Elefantes horas, que desgarradas,
Tecem suas aranhas em teias de amoras
Rupestres; nuvens cândidas, saradas,
Tartamudeiam suas mágoas sem demora!…
O relógio analógico da sala
É tão devagar quanto tartaruga
Marinha. O cuco da caixa — ele fala:
— O que foi feito de tuas rudes rugas?…
Eu respondo meio cordato, prudente:
— Foram pastar capim! Estou tão senil,
Que as rugas estão caindo, decadentes!…
A lâmpada de pele magnética
Espelha seu vidro elétrico e vinil
Numa vitrola quimiossintética!…
3-4-2010.
Lua: Morango de Carne
Edigles Guedes
Lago de cisnes, que boiam suas ilusões;
Branca de neve na agônica noite!…
Lagoa de namorados com profusões
De ósculos helmintos, belipontentes!…
Laço a jato jungindo dois corações
Em longo enlace de flores e espinhos!…
Louco boião de seda… ambas as adições
De corpos cálidos em calmos ninhos!…
Xampu de coco a escorrer em madeixas
Femininas com águas comburidas!…
Caleidoscópio com jejum de ameixa;
Famélico morango de carne e só!…
Lua que me lembra pernas coloridas
Da mulher que amei. Estou de mim defesso!…
3-4-2010.
Lago de cisnes, que boiam suas ilusões;
Branca de neve na agônica noite!…
Lagoa de namorados com profusões
De ósculos helmintos, belipontentes!…
Laço a jato jungindo dois corações
Em longo enlace de flores e espinhos!…
Louco boião de seda… ambas as adições
De corpos cálidos em calmos ninhos!…
Xampu de coco a escorrer em madeixas
Femininas com águas comburidas!…
Caleidoscópio com jejum de ameixa;
Famélico morango de carne e só!…
Lua que me lembra pernas coloridas
Da mulher que amei. Estou de mim defesso!…
3-4-2010.
Amor em Quadrinhos
Edigles Guedes
Ah! mulher dos meus ais (suspiros delirantes!), frente
A frente com minha nudez de segundos precários!…
Eu, pasmado com tuas mãos lascivas!… As bendizentes
Mãos de Mulher Maravilha, esse corpo locatário!…
Suaves são os pés de gazela alencariana, em romance
De horas tórridas!… Lucíola, de pernas escarlatas,
Escalando a montanha de meu peito nu, sem chance
De reação!… Teus olhos de Mulher Gato: escandalosos
Olhos que miram em mim a tua face de acrobata
No circo ou círculo de teus seios lanosos, xistosos!…
Assinatura de sangue e dor no meu peito amante;
Eis a marca que deixas em meu coração barrancoso!…
Nas páginas amarelas de histórias em arfantes
Quadrinhos, eu vou bosquejando dissabor desbrioso!…
3-4-2010.
Ah! mulher dos meus ais (suspiros delirantes!), frente
A frente com minha nudez de segundos precários!…
Eu, pasmado com tuas mãos lascivas!… As bendizentes
Mãos de Mulher Maravilha, esse corpo locatário!…
Suaves são os pés de gazela alencariana, em romance
De horas tórridas!… Lucíola, de pernas escarlatas,
Escalando a montanha de meu peito nu, sem chance
De reação!… Teus olhos de Mulher Gato: escandalosos
Olhos que miram em mim a tua face de acrobata
No circo ou círculo de teus seios lanosos, xistosos!…
Assinatura de sangue e dor no meu peito amante;
Eis a marca que deixas em meu coração barrancoso!…
Nas páginas amarelas de histórias em arfantes
Quadrinhos, eu vou bosquejando dissabor desbrioso!…
3-4-2010.
Coração Cronista
Edigles Guedes
Coração que cora comigo consútil,
Cozido em caldeirão contrito; caminho
Casto por cônsul civil; cachorro em covil
Civilizado; canário com carinho!…
Chapeuzinho ciente do crápula cioso;
Consciência calva das chicotadas chochas;
Canivete camacho, caliginoso;
Cálamo em cano; cana conchuda, concha;
Corvo carnívoro em cães carnificinas;
Ciência calma de cãs culminantes; calo
Cético em celeste cobra cabralina;
Ciúme da correspondência em cisma cripta.
De chofre, cor de caldo criptocéfalo
Caiu o coração como cálido cronista!…
3-4-2010.
Coração que cora comigo consútil,
Cozido em caldeirão contrito; caminho
Casto por cônsul civil; cachorro em covil
Civilizado; canário com carinho!…
Chapeuzinho ciente do crápula cioso;
Consciência calva das chicotadas chochas;
Canivete camacho, caliginoso;
Cálamo em cano; cana conchuda, concha;
Corvo carnívoro em cães carnificinas;
Ciência calma de cãs culminantes; calo
Cético em celeste cobra cabralina;
Ciúme da correspondência em cisma cripta.
De chofre, cor de caldo criptocéfalo
Caiu o coração como cálido cronista!…
3-4-2010.
Fado Algoz
Edigles Guedes
Carrasco do lodo de sentimentos,
Condoídos em coração abandonado;
Algoz da lama putrefata — atentos
Olhos de rapina em pássaro. Fado
Esse que carrego comigo — dentes
De leão a rugir sirtes, voo de águia alpina
Por montanhas alvissareiras, fontes
D’água a jorrar para a feérica sina!…
Fado: sequestrador impertinente
Das sem-razões de coração amoroso.
Vem, cruento amigo! destilar albente
Fel em minh’alma peregrina, ausente
Do mundo que a cerca! Que doloroso
É sofrer por uma mulher envolvente!…
2-4-2010.
Carrasco do lodo de sentimentos,
Condoídos em coração abandonado;
Algoz da lama putrefata — atentos
Olhos de rapina em pássaro. Fado
Esse que carrego comigo — dentes
De leão a rugir sirtes, voo de águia alpina
Por montanhas alvissareiras, fontes
D’água a jorrar para a feérica sina!…
Fado: sequestrador impertinente
Das sem-razões de coração amoroso.
Vem, cruento amigo! destilar albente
Fel em minh’alma peregrina, ausente
Do mundo que a cerca! Que doloroso
É sofrer por uma mulher envolvente!…
2-4-2010.
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