Edigles Guedes
Ferir-me como a fera,
Que bastante pantera,
Ruge suas garras de aço:
Noite que me espedaço!…
Súplice, com fervença
Por tua boa benquerença!…
Persigo o meu infortúnio
De perto. Plenilúnio
Já desatou o campônio
Coração: há que cá dentro…
Onde, espúrio, está o cetro,
Do rei que não fui?… Eufônios
Despertaram-me. A fera —
A ferir-me cratera!…
4-3-2010.
Inspire-se. Surpreenda-se. Viva com leveza. Aproveite os sonetos. O romance. A desilusão. O amor. Leia e curta.
Paixão
Edigles Guedes
Paixão penosa e desenfreada, eu avezei-me
A ti. Cuidei que fosse um mero silvo
De pássaro canoro, que chove, e alvo,
Sua lira, antes de abrir cântaro de fome.
Paixão anojosa e alambreada, eu acostumei-me
Com teu toscanejar de hipopótamo, avô
De pântanos, que ardem no metano calvo
Da minh’ma!… Onde me acudiu o azedume
Dessa Paixão? Em que salmo ou provérbio, crespo,
Eclipsaste a tu’alma? Mudo, fizeste-me
Calado. O Teu sacrifício na cruz, lume
Dos cristãos; serve-me de bússola. Apulpos
Suportaste por mim. Eu — alguém sem velame
Que açodasse o navio da lida ao destempo!…
4-3-2010.
Paixão penosa e desenfreada, eu avezei-me
A ti. Cuidei que fosse um mero silvo
De pássaro canoro, que chove, e alvo,
Sua lira, antes de abrir cântaro de fome.
Paixão anojosa e alambreada, eu acostumei-me
Com teu toscanejar de hipopótamo, avô
De pântanos, que ardem no metano calvo
Da minh’ma!… Onde me acudiu o azedume
Dessa Paixão? Em que salmo ou provérbio, crespo,
Eclipsaste a tu’alma? Mudo, fizeste-me
Calado. O Teu sacrifício na cruz, lume
Dos cristãos; serve-me de bússola. Apulpos
Suportaste por mim. Eu — alguém sem velame
Que açodasse o navio da lida ao destempo!…
4-3-2010.
As Mulheres que Amei
Edigles Guedes
Todas as mulheres que amei,
Falharam em amar-me! Nau
Que se foram; que eu lamentei…
Não sabiam amar-me!… Quinau
Tomei, com tanta enganação
Em minha vida. Mas, tudo
Eu não as culpo. Culpo à bênção
Do Fado. Bênção, de ávido,
Estar vivo; que arte: ronda-me
A Morte!… Logo, eu pago esse
Preço! A vida, bífida, é-me!…
O Amor, lauto, que me sonda,
Custou-me o Fado!… Carece
Meu imo infante de guarida!…
3-2-2010.
Todas as mulheres que amei,
Falharam em amar-me! Nau
Que se foram; que eu lamentei…
Não sabiam amar-me!… Quinau
Tomei, com tanta enganação
Em minha vida. Mas, tudo
Eu não as culpo. Culpo à bênção
Do Fado. Bênção, de ávido,
Estar vivo; que arte: ronda-me
A Morte!… Logo, eu pago esse
Preço! A vida, bífida, é-me!…
O Amor, lauto, que me sonda,
Custou-me o Fado!… Carece
Meu imo infante de guarida!…
3-2-2010.
Esmorecido de Pelejar por Amor de ti
Edigles Guedes
Esmorecido estou de tanto pelejar
Por teu Amor. Mas, a Senhora ignora-me: torso
De tigre nas pintas das manhãs de anêmonas,
A velejar o Céu sem estrelas, sem urzes
De vaga-lumes. Eu já bajulei a bajoujar,
Como o Mar a esgrimar o rochedo. Recursos
Gastei, cingindo-te de esplendor; nas mornas
Águas, porém, tu golpeaste as minhas revezes!…
Em teu livre líbito, rútila, cuspiste
Na minha tez… Esmigalhando os meus bilhetes
De Amor, que tão singelo escrevi. Cabisbaixo,
Fiquei. Desiludido, estou. A Esperança
Não falece nunca!... Portanto, enquanto a lança
De a vida restar-me, eu direi: Eia, Paradoxo!…
3-2-2010.
Esmorecido estou de tanto pelejar
Por teu Amor. Mas, a Senhora ignora-me: torso
De tigre nas pintas das manhãs de anêmonas,
A velejar o Céu sem estrelas, sem urzes
De vaga-lumes. Eu já bajulei a bajoujar,
Como o Mar a esgrimar o rochedo. Recursos
Gastei, cingindo-te de esplendor; nas mornas
Águas, porém, tu golpeaste as minhas revezes!…
Em teu livre líbito, rútila, cuspiste
Na minha tez… Esmigalhando os meus bilhetes
De Amor, que tão singelo escrevi. Cabisbaixo,
Fiquei. Desiludido, estou. A Esperança
Não falece nunca!... Portanto, enquanto a lança
De a vida restar-me, eu direi: Eia, Paradoxo!…
3-2-2010.
Pombinhos Grudados
Edigles Guedes
Saciei-me de muita terra com sal,
Até o dia em que aprendi a ser
O sal da terra — cristal pintado a cal
De transparência reluzente, a ter
Em suas janelas de vidros e sóis
O espectro multicolorido da luz
De Newton e seu prisma. Ah, nós
Dois!… Quantas vezes, de quebra-luz,
Fizemos de Amor o nosso ninho.
Entre beijos, carícias e carinhos,
Largamos os nossos seres lassos
Em meio aos lençóis, bordados
Com tanto esmero. Grudados
Pombinhos, éramos… Braços laços!…
2-3-2010.
Saciei-me de muita terra com sal,
Até o dia em que aprendi a ser
O sal da terra — cristal pintado a cal
De transparência reluzente, a ter
Em suas janelas de vidros e sóis
O espectro multicolorido da luz
De Newton e seu prisma. Ah, nós
Dois!… Quantas vezes, de quebra-luz,
Fizemos de Amor o nosso ninho.
Entre beijos, carícias e carinhos,
Largamos os nossos seres lassos
Em meio aos lençóis, bordados
Com tanto esmero. Grudados
Pombinhos, éramos… Braços laços!…
2-3-2010.
O que é Feito do que Sinto?
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Alberto Caeiro
O que é feito do que sinto
Na ausência dela? Se minto,
Ao dizer que o sentimento
Que nutro por ela é lamento…
Então, qual é o meu valimento?…
Talvez eu valha menos que um palito
De fósforo, desusado. Em cumprimento
À minha palavra, confesso-te o delito,
Doravante, de te amar, minha Senhora.
Mas, de Amor tal, sem fingimento;
Que de tanto te amar… Tu penhorarás
O meu coração numa loja de relíquias.
E leiloarás este coração, sem discernimento,
Como se leiloam os bonecos de ventriloquia.
2-3-2010.
Alberto Caeiro
O que é feito do que sinto
Na ausência dela? Se minto,
Ao dizer que o sentimento
Que nutro por ela é lamento…
Então, qual é o meu valimento?…
Talvez eu valha menos que um palito
De fósforo, desusado. Em cumprimento
À minha palavra, confesso-te o delito,
Doravante, de te amar, minha Senhora.
Mas, de Amor tal, sem fingimento;
Que de tanto te amar… Tu penhorarás
O meu coração numa loja de relíquias.
E leiloarás este coração, sem discernimento,
Como se leiloam os bonecos de ventriloquia.
2-3-2010.
Quem está isento?
Edigles Guedes
Se pena por amar-vos se merece,
Quem dela livre está? ou quem isento?
Luís de Camões
Quem está isento da ecnefia
Das ondas, que procelosas
Navegam o Amor?… Quem se fia
Na conversa afiada das Rosas,
As quais com cores olorosas,
Fazem a gente infértil penar
Em seus espinhos!… Dengosas,
Elas perfazem do meu ninar
Entre espinhos, uma frase
Sem mais valia. Que me vale
Andar contigo, em êxtase,
Ao levar tuas mãos donzelas…
Se tu és como o lírio-do-vale
Ao capricho de outra procela!…
2-3-2010.
Se pena por amar-vos se merece,
Quem dela livre está? ou quem isento?
Luís de Camões
Quem está isento da ecnefia
Das ondas, que procelosas
Navegam o Amor?… Quem se fia
Na conversa afiada das Rosas,
As quais com cores olorosas,
Fazem a gente infértil penar
Em seus espinhos!… Dengosas,
Elas perfazem do meu ninar
Entre espinhos, uma frase
Sem mais valia. Que me vale
Andar contigo, em êxtase,
Ao levar tuas mãos donzelas…
Se tu és como o lírio-do-vale
Ao capricho de outra procela!…
2-3-2010.
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