Verso e Fera



Não sei se chego;
Não sei se fico;
Não sei se digo;
Não sei se mexo.

Esqueço, nisso:
Que brota dentro
De mim, narciso
Ou riso mero?

E fujo, visto
Que rude sigo
Por ru
ela aceita.

No peito, surge
O verso
ruge
A fera
eleita.

Autor: Edigles Guedes.


Bucho e Bomba



E xingo a mim mesmo

Careço, decerto,
Do livro descrito
A sete tinteiros;

Com mãos de palhaço,
Tentando, num traço,
Fazer uma graça
Ou simples piada.

Mas, sigo na raça
De cão
Decifrada
Poesia? Quem dera!

Na jaula, ribomba
O bucho, com fera
A fome. Que bomba!

Autor: Edigles Guedes.


Mente Vitrola



O vão desperdício
De léxicos, cios
De gatos nas telhas.
De fato, nas quelhas

Embrenho-me, sigo
O signo de amigo,
Na falta de flauta,
Pra canto e consolo.

O brado de nauta
Me faz acordar.
Comprido de sono,

Me volvo a xingar:
Que vá, carambola!
A mente vitrola.

Autor: Edigles Guedes.


Pensares de Fortes



A brisa, em seguida,
Embirra, faz bico,
Assenta sua língua
Pra fora da boca.

Eis o Eu desnutrido,
Sem trens de ninar,
Sem mãos pra nadar,
Ainda no berço.

Me sinto o sentido
De afável ternura,
Sem dita bravura;

Sonhando, alicerço.
Pensares, doridos;
De fortes, vividos.

Autor: Edigles Guedes.


Sussurro e Murro



Um ventilador
Resolve ficar
Quieto, caluda!
Um vento de dor

Dissolve finar
Seleto; boazuda
Germina na flor,
Gerando sabor

Aos puros de dor.
O gesto, que Amor
Me grela o ferrolho,

Que ponho de molho.
Escuta o sussurro
De boca no murro!

Autor: Edigles Guedes.


Suspiros e Papiros



Domingo qualquer

De brisa hedionda
Soprando na cama.
O dom de mim quer,

Detido à fé, onda
Logrando mar. (Lama?)
A tarde, com tédio,
De triste remédio,

Se dava ao bom luxo

De tardos, os passos;
De tigres, os lassos;

Nos dados, que puxo.
Refém dos suspiros,
Contém-me os papiros.

Autor: Edigles Guedes.


Siso e Riso



A rocha esbraveja
Palavra imbecil.
A roda espumeja
A lavra sem til.

Senti que passado,
Com ímpar em mim.
O senso perdi,
Compasso de alado.

O pássaro lindo,
Revista de moda.
O pasto florindo,

A vista acomoda.
O siso, topei;
Em riso, abispei.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...