Olhar



Restou-me o frígido olhar
De quem friamente me pisou.
Palor grelou na minha pele.
Pavor soçobra no meu sangue.

O sério reina no semblante
De quem redime o caminhar
Das Horas, dentro do espaço
Finito, assaz do diminuto

Segundo, sem torna-viagem.
Passagem? Só de ida sem volta.
Por quê? Ninguém compra o Passado,

Que alado, voa por montanhas
Do tempo Outrora, com seus cimos.
A cisma abrolha em quem cismou.

Autor: Edigles Guedes.


Chorar a Rosa



Há de chorar a Rosa!
Que se perdeu no flanco,
Esquerdo e cru, da vida…

Há de chorar, bradai!
Por Rosa tão pequena…
Que mais valeu a pane
No coração amargo…

Há de chorar a Rosa!
Como a vã mazela,
Fixa em jardim de males…

Há de chorar, bradai!
Por Rosa tão serena…
Mudo, jamais profane
A cova; então, cativa


Autor: Edigles Guedes.


Cobiça e Querença



Da cobiça, o látego me assola;
Entretanto, o pávido me some.
O chicote devora-me de esmola.
O macérrimo corpo… que demole

As paredes havidas de concreto…
No profundo de espírito, que increpa,
Me censura por ditos impropérios,
Os quais nunca deviam se espargirem.

Mas, detém, de sensato, o deletério
Sentimento; é justo, sob regime,
Os quilinhos restantes no pandulho?

A candura de mãos voluptuosas…
A brandura com pés de virtuoses…
A querença por Dama, que perdure!

Autor: Edigles Guedes.


Coragem



Atino com Existência, que redime
A mágoa, no exclamante calabouço
Do peito, num aljube de bramidos…
O plácido Minuto, que me oprime

O cálido desejo de formosas
As mãos, em madrugada de aflição…
O nítido paquete me comprime
O tórax de Esperança, que fugaz

Navega pelas sete freguesias…
Retumba forte assaz Monotonias
Das Horas claudicantes em relógio,

Com ácidas manobras dos ponteiros…
Coragem de Pintinho em galinheiro,
Enquanto Malandrim anda à espreita…

Autor: Edigles Guedes.


Um Beijo na Fronte



Regaços mil de maravilhas
(Que gozo, mais!), nas redondilhas
De abraços vários… A Senhora
Cativa em braços namorados…

Me põe de lúcidos os joelhos
Aflantes… Pernas que suportam
O peso ingente das blandícias…

As mãos escorrem no espinhaço,
Que nem a mágoa no chuveiro…
Um banho para refrescar
A carne, cheia de avidez…

Mas, onde guardo as pudicícias?…
Um beijo casto afivelei
Na fronte afável do meu bem…

Autor: Edigles Guedes.


Diamante



O bem que me queres é de cristal:
Que tão delicado fica, que meigo
Se quebra; partido, risca sossego
Por prêmio de tarde arisca. Navego

No regaço de mulher fascinante.
No terraço de felina e bacante
Me encaixoto por inteiro, delírio;
Me sepulto de janeiro a janeiro.

Suspiro… Deleite foi de metal
Fundido no peito frívolo e negro
Diamante… No leito vago restou:

O lençol alvinitente; a ternura
De ferido coração; o rabisco
De canção desaprendida, calou.

Autor: Edigles Guedes.


Perplexo



Parece pássaro encantado,
Em fonte de água deleitosa,
Sequer observa em redor,
Atento ao ato de sorver.

O líquido magro e fino
Escorre por bico de hino:
A sede gulosa ao viver.
A cúmplice fronte com dor,

Por não amar completamente
O instante, cujo demorado
O beijo deixa-me perplexo.

O riso me sonda cabal.
E vivo me queres de mau-
Humor ou pavor de fritura.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...