À tua Espera



À tua espera,
Me vejo careca
De tanto falar
O mesmo mistério

À Lua. Bobeira
Acende o olho,
Me deixa perplexo.

À tua espera,
Me vejo sapeca,
A ponto de, sério,
O peito calar.

A fixa soleira
Me deixa de molho,
Discurso anexo.

Autor: Edigles Guedes.


Senhora e Eu



Senhora, não te agaste!

O céu, por bento, confirme
O meu desígnio de nobre
Ventura
Siso de cobre,

Que tenho, não o rejeito;
Embora goste sujeito
À rédea curta e firme.

Senhora, não me brindaste
Com beijos cálidos, fartos
De lábios tardos, infartos
Com
vistos braços e laços!

Devoram vis embaraços,
Enquanto deito-me, suxo,
Em berço largo de luxo.

Autor: Edigles Guedes.


Um Grilo Falante, de Espora



A luz descolore
Fulgor de aurora?
Um dedo de prosa
E cedo Manhã,

Que sabe a rosa?
Pranteia, agora,
O céu de maçã!

A nós, evapore
Ledice da noite!
Desate açoite
Na voz e vigore!

Um Grilo Falante
Verseja diante
De mim, de espora

Autor: Edigles Guedes.


Pipoca



Estoura micro-ondas;
Pipoco, alarido;
Ruído confrangido
De rudes anacondas!

Sabor de sentimento,
Com sal de sobremesa;
Pimenta que enfeza
A língua de fermento.

O gosto absolvido
Por culpa de redondas
Manteigas derretidas.

A vida, de certeza,
Ostenta o lamento
Em fugas compelidas.

Autor: Edigles Guedes.


Pirulito, Menina



Cilindro e esfera
Unidos: pirulito.
A língua acelera
O gosto de pantera.

A boca, em berlinda,
Mastiga guloseima.
O dente regozija!
O lápis que redija:

Bastante felicito
O suco benfazejo
— Açúcar e desejo.

Menina, que infinda
A lágrima me teima?
Amor de a toleima!

Autor: Edigles Guedes.


Abelha, Estrela, Cão e Eu



Zunzum de abelha-operária,
Na hora franzina, matinal.
A cera, que fazem, por enquanto,
Mercê de cimento e tijolo;

Por isso, a casa sobreleva.
De tanto arisca, edifica
Colmeia de nil hexagonal?

E eu — que estrela donatária! —
Navego os céus por desencanto
E minha a voz lhe acrisolo
No peito infante, abissal.

Sacudo coleira, mas escreva:
Que cão, por doméstico, salpica
A língua em dono abismal.

Autor: Edigles Guedes.


Cemitério



Longe, muito longe daqui,
Houve fato fútil, de rima
Leve, solta; doce estima
Brota, como mal de zumbi.

Noite faz terror de zabumba.
Passo moitas mil; cemitério
Late muitas almas: mistério
Dobre; fora, ventos; a tumba

(Cão que dorme, lago de sonho;
Mocho coça perna pirata;
Gato vivo anda risonho)

Abre, sim, desperta coveiro,
Ouve voz de sonsa barata.
— Mãos estica, pai de chiqueiro!

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...