Encontro



Fazia mais de duas horas…
Estou aqui de mão suspensa…
Lamento gruda, boca brinca
Com língua brava, siso trinca

Os dentes férreos. Nisso, urge
A noite dentro; luz apaga,
Acende, poste zanga, xinga
Um pouco, fúria vem e vinga.

Desata nó, o peito chora.
E ela foge, cisma, pensa,
Se bem que dó de mim suporta.

Encontro houve não, mas surge
Herói, enredo, grande saga,
Enquanto fecho minha porta.

Autor: Edigles Guedes.


Voz Desafino



Careço de ti,
Que não me acata
Desejo latente
Por Dama troveira.

Careço de Pi,
Coelho silente,
Em braços de gata.
Amor que me cheira!

Pareço um chim
De fronte esguia
E pé de enguia?

Caroço de mim,
De tão pequenino,
A voz desafino!

Autor: Edigles Guedes.


Falta



Senhora minha,
Perdoe sina
De quem te ama,
Na dura cama,

Na doce lida.
Por toda vida,
Jungidos vamos
De mãos atadas,

Em via justa.
Os beijos damos
Na boca. Custa

Ouvir as fadas,
Que dizem nada
Por falta fina?

Autor: Edigles Guedes.


Mamulengo



O pobre mamulengo
Que herda avoengo
O bem de venturado:
O queixo derribado,

Os olhos destrinçados,
Cabelos desgrenhados,
Os pés desenxabidos,
Ouvidos inibidos,

As pernas iludidas,
As mãos de avenidas.
Anil insensatez!

Lição desenredada,
Tarefa deslindada:
Madeira putrefez!

Autor: Edigles Guedes.


Maio



Está chuvoso
Respingos mansos
De ouro brando

Boião da Lua

Navega céu
Nublado
Maio
Que surge tarde

Na linha arde

Um férreo trem

O bom descanso
No banco, quando

A nau jejua
De mar ao léu

E corro, caio


Autor: Edigles Guedes.


Carro, Louco e Jade



Eis que tinha coragem…
Carro, crê, em garagem,
Pega trancos e goles,
Come chave inglesa,

Bebe óleo retinto.
Fome tange semáforo;
Sede dói na garganta.

Eis que tinha bondade…
Louco vê, em hospício,
Pernas bambas e moles.
Vil razão, que se preza?

Nada! Tico de siso?
Quem me dera!… Que canta?
Jade grita: — Suplício!…

Autor: Edigles Guedes.


Lençol e Vida



Criança, te cubras!
Lençol será curto?
É sobejamente
Curto, de tão pouco…

A cama constrange?
Demais, fartamente.
Viver será rosas?
Existem espinhos!

E sei que eu sei…
Bandeira de paz?
Um canto de trégua?

A vida é dura;
Mas fino sorriso
Me custa nadica!

Autor: Edigles Guedes


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...