Aurora



Um cântico afora
Reside na aurora…
Um cântico de medo,
Capaz de aplicar

Os dedos violáceos
Nas pétalas de rosas.
Um raio desfigura
O sol, me apiedo.

Manhã de esgueirar
Por muros farináceos.
As sépalas ciosas

Me causa um sorriso.
De vez, alfabetizo
A pedra imatura.

Autor: Edigles Guedes.


Ranço



Sem toscanejar,
Desfez enjoar
Das horas pungentes,
Sem que o cuidado

Arrote o preço
Por falho descanso.
Merece a folga?
Parece formiga,

Que gosta, amiga,
Das fainas
vigentes,
Sem que o agrado

Lhe mime. Começo,
De pronto, o ranço,
Que tanto empolga.

Autor: Edigles Guedes.


Saia na Praia



Sofralda a saia,
Intuito de pulo,
Capaz de cortar
A lama ao meio.

E eu, que a vejo,
Deleito-me, sim

Ventura de olhos
Os meus!
Que por vê-la

Na lânguida praia,
Sentido anulo?
Sentir desfraldar

De saia
Que cheio
O peito desejo
E dentro de mim!

Autor: Edigles Guedes.


Tão Doce



Em doce troca
De seu tão doce
Amor, contente,
Prossigo. Rasgo

O peito; risco
O seu tão meigo
Renome; coro-me.
Fugaz beijoca

Em tez, qual couce
Soez, ridente
Em truz! Engasgo

Com cuspe; pisco
O olho leigo.
Afeto, goro-me!

Autor: Edigles Guedes.


Luar



Luar mortiço,
De tão castiço,
Me faz sumiço,
À vista disso.

E sou perene;
O barro pene!
Às vezes, minto,
E sou um pinto,

De tão miúdo.
Elã agudo;
O vão extinto.

De órfão, sinto
As mãos d
a Lua
Na minha rua.

Autor: Edigles Guedes.


Manhã ao Luar



Dessa manhã jogada ao luar,
Como se joga milho ao acúleo
Dó galináceo.
Ávido sustento,
Pó que ingere… Pávido, do galo

Brota o grito; grave, a goela
Solta o livro lorde; acastela,
Dentro do peito, férvido ardor;
Duro ardor por beijos e calor…

Dama, de ti evola o perfume…
Tanto estimo, quanto afervento
Lar de prazeres muitos: o regalo.

Lábio de Lua lépida consume
Lábio o meu, ao corpo despertar…
Lábio: amor ao píncaro hercúleo…

Autor: Edigles Guedes.


Noite ao Lar



Dessa noite jogada ao lar,
Como joga a caça de sede;
Onde onça despenca embuste;
Onde o caçador desarruma

Cabelo, tez, aprumo, instinto.
A Lua, sim, tolera estrela
De brilho breve, pus, horizonte
Escuro. Mocho cruja. O riso

Me rasga — aluguel de pavor,
Que nervos os deglutem, se for
Obséquio de glutão lazarento.

Moirejo na lavoura dos sonhos;
E, lá, percalço brinca de luta,
Esconde o desfrute da liça.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...