Remédio



Existe rio
De cor anil?
De céu, pintado,
Como canário

Belga? Armário
Extinto, fado
De cor ardil,
Amor urdiu!

Antes sofrer
De que vencer
Esse assédio!

Antes morrer
De que beber
Esse remédio!

Autor: Edigles Guedes.


Fusca



Besouro estranho,
De quatro as rodas,
Que dormem bastante
Em canto, garagem

De casa boboca.
Capuz bacoreja
Sorriso, de quem?
Besouro castanho,

Limão à desmoda!
O dócil volante
Encanta. Discagem

Mecânica, boca
Da chave, cereja
De bolo, aquém.

Autor: Edigles Guedes.


Laço de Fita



O laço de fita
Me deixa tartufo!
O peito estufo;
Inflamo a chita

Com beijos ardentes.
Belisco os dentes.
Os lábios cortantes
Me ferem. Cavouca

Lascívia, guarida?
Palavras errantes
Me fogem da boca.

Ciúme desponta.
A faca de ponta.
Você que se cuida!…

Autor: Edigles Guedes.


Buquê



Buquê de flores,
Que tanto amo.
Galante, dou-te
À minha Dama.

Depois, a nuvem
De cheiro terno
Conquista faro.
Buquê de dores,

De vil, desamo.
Revés alçou-te
À minha lama.

Seguir, o homem
Enxerga verno
Amor que saro.

Autor: Edigles Guedes.


Porta



Que abre e fecha
O cofre de fera.
Madeira de lei…
Me deixa por rei

Em casa ou ninho.
Um tal passarinho,
Imune por ti.
Conchego, que doce,

Me faz o sorri.
A mão, que na fouce,
Melhor, que no trinco,

Me leva ao sonho,
De quando enfronho
Amor com afinco.

Autor: Edigles Guedes.


Gastura



Vazio no bucho,
Incômodo bruxo.
Será que o luxo
Está de plantão?

Desejo na boca,
De grávida louca
Por tudo e rouca
A voz de sermão.

Estar de um mal,
Capaz de botar
Pra fora um tal

De til no acento.
Deitado no lar,
Me sinto birrento!

Autor: Edigles Guedes.


Traquejo



E dei-me conta
De olho lindo!
E sei afronta,
Se bem que rindo!

E há vestido
De chita bela.
E há fremido
De perna. Zela

Por mim. O pejo
Que sinto! Vejo
Amor solerte.

E há traquejo
Com rijo flerte.
A ti, almejo!

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...