Brado



E vi, melindrado,
Os olhos de gázeos
Fulgirem defronte.
A Dama
quimera

De sonhos
almejo;
Porém, por distante
Ambula. Conhece

Desejo blindado?
Os braços de brônzeos
Fulguram.
A fronte,
Ao ver-me, gemera!

Cruel azulejo
Reluze. Flagrante
De brado perece!

Autor: Edigles Guedes.


Ingrata



E fora de si,
De tão descontente,
Caminho por rua.
Asfalto tolero.

O pé, que resvala,
Me fala de ti,
Ingrata por tudo!
De mim, um suspiro

Voava em giro,
Em vão, o dolente.
Navega a Lua.

O mar, de sincero.
Estrela pedala.
O vento, saúdo.

Autor: Edigles Guedes.


Sorriso



Sorriso brando, que me apavora.
De vez em quando, (confesso, ora!)
Me põe de joelhos dormentes, como
Laranja lívida sem o gomo.

O braço bambo, que me devora.
Que lê os lábios, em boa hora;
Movê-los nunca, me sabes tomo
De livro aberto. Gracioso gnomo

Que sou! O gesto, que me censura,
Por riso intruso em conversa alheia.
Se brinco brusco contigo, freia

O labro. Fito a chiclé cintura,
Que bota siso em cachola dura.
Birrento fogo, que me apura!

Autor: Edigles Guedes.


Planeta



Há mentecapto com asneira:
É lagartixa com coceira;
É macaxeira com doideira;
É a salsicha de bobeira;

É a torneira ressentida;
É tartaruga de perneta;
É o molusco com careta;
É a zonzeira acolhida;

É caramujo de torcida;
É madrugada aturdida;
É taturana com zambeta;

É a mangueira que convida
Para banquete, despedida.
Eis que biruta, o planeta!


Autor: Edigles Guedes.


Mundo



Há o mundo virado:
É cachorro com tosse,
É lagarto com posse,
É mosquito a nado,

É o gato com fogo,
É o rato com gosto,
É o pato disposto,
É o mato de rogo,

É ouriço com medo,
É toutiço de ledo,
É o grito com gripe.

É papel com o clipe.
É a lesma de jipe.
Eis que mundo azedo!

Autor: Edigles Guedes.


Fuxico



Ao nosso encontro,
Assíduo que fui.
Instante, espero.
Parece eterno

O tempo puído.
Eterno, advém,
Amor que dedico.
Anil desencontro

Pintou, por ali.
Minutos, tolero.
Aspiro a terno

O cenho moído
Por lágrimas sem
Calor ou fuxico.

Autor: Edigles Guedes.


Piedade



Tristíssimo ai!
Carpi simplesmente
Por ti. Piedade
De mim
Sentimento

Aquele olvido,
Depois que te vi
Partir descontente.
E não me chorai!

Me faço semente
De rude. Agrade
O vil pensamento,

Que anda descrente
De mim
Sucumbi
No val,
aguerrido!

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...