Olhos



Aqueles olhos grandes
Que cortam voz de súbito.
E eu que sou o súdito:
Vassalo teu. Me brande

Espada, quis graúda.
O peito teu que pulsa.
Bater o sus! Expulsa
Os lábios teus, miúda?

No sonho vi: cavalo,
Ginete, mão de ferro,
A terra fértil, valo,

Castelo forte, tarde…
Aqueles olhos… Berro.
A alma ferve, arde!…

Autor: Edigles Guedes.


Penas



Semeio as penas
A quem desmerece
As penas de Dor.
Desdém por Amor,

Que planta, silente.
Cultivo semente,
Dispõe-me contente,
O homem carente.

Careço de plena
A paz da folgança,
Calor, abastança.

Careço de prece.
Guarneça a flor,
Acaso se for!…

Autor: Edigles Guedes.


Ovo: Pinto



Os olhos que fito.
A boca aberta.
A casca de ovo
Na mão, que estala.

Calor, frigideira
Que assa de novo.
Silêncio à trova.
O ovo, que frito,

Pipoca. Alerta,
Piá, me comovo.
Canção que embala.

Chiar, chocadeira.
O pinto aprovo,
Que salta da cova.

Autor: Edigles Guedes.


Nome



Coisa feia
É a fome;
Coisa, não, que
Tanto come

Tripas; mói os
Muitos dengos;
Rói miolos;
Dói os quengos;

Há as voltas;
Há herói?
Há mingau na

Boca, sói;
Resto é
Nada, nome!

Autor: Edigles Guedes.


Quixote



Um pouco de pão,
Sacio a fome.
Aperta barriga
Com sinto fortuito;

Mas, inda que há
Um pingo de mel
No fundo do pote.
Um pouco de mão

E nada consome.
A preta da briga
De cinto e muito.

Mas, inda terá
Cadinho de fel
No mundo, Quixote!

Autor: Edigles Guedes.


Meninice



Estômago vazio;
Caminha apetite
De rápido em brio,
Barriga que habite

A fome de costume!
A sede me aprume!
Um copo que de água…
Equívoco me faz…

Um cálice de mágoa…
Deslize que me traz…
Carece de tormentos

A vida de ledice?
Almejo de lamentos
O fim — que meninice!

Autor: Edigles Guedes.


Sapatos; Sapato



Guindados urubus
Nas caixas de bambu.
E hão de obsoletos?
Apenas minuetos

Aos pares parecidos.
Às vezes, esquecidos
Em borda de armário.
Que há da serventia?

O jeito dromedário
De ser, por valentia.
Desejo por canário;

Entanto, por sapato
Nasceu, o caudatário,
Que vive de vibrato.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...