Não te Deixes Vencer



Quando vires a mim, por obséquio,
Peço: deixa tristonho Pinóquio,
Tão egrégio, seguir descaminho.
Rude, feres alguém que sozinho

Vaga? Ruas de quinas, falácias;
Becos, curtos, de mil peripécias.
Chuto muito tampinhas a esmo.
Nave voga vulgar, ensimesmo.

Gato lufa por essa estrada.
Mocho luta, chirria e brada.
Cão que ladra e pouco que morde.

Eu que nada padeço; de lorde
Ando, queixo vexado, disperso.
Não te deixes vencer por Perverso.

Autor: Edigles Guedes.


Deus



Escape no dia de perigo;
Disparo, mas inda te bendigo.
Benesse me sonda no abismo;
Benefício de que tanto cismo.

A volta por cima surpreende.
O laço liquida. Compreende
Partícula ínfima, vagido.
Acredito por querer sentido.

Socorro no rijo sorvedouro.
A peste que foge na ausência.
O benigno no sofrer: tesouro.

O monte tremula na presença.
Espírito brama na essência.
O bendito no viver: sentença.

Autor: Edigles Guedes.


Cabide



Urubu perneta suporta calças.
As camisas plangem. Vestido realça
Aparência sóbria, de quem dorido
Rumoreja canto de viés cerzido.

No pernoite, surge um homem fino,
Da grossura cruel de palito. Sino,
Que tilinta, gruda em mim sonido.
Um cachorro lambe o alguém, latido.

Urubu contempla vestuário tido
E flexível, custo de suor banido.
Um relógio cuco enxota a hora,

Que escorre, cru. Ampulheta ora,
Desenreda toda volúpia, agora.
Por enquanto, andejo por aí, afora.

Autor: Edigles Guedes.


Ventilador



Gira, como girafa no zoológico.
Mapa fosco procura o agógico
Rumo. Vento sussurra palavrório.
Prumo toma na vida, decisório.

Pás rodavam, de súpito, os pássaros
Voam parvos. Por cúbico, os lábaros
Seguem trêmulos, como peregrina
Noite. Túmulo cala a canina

Fome. Move o pêndulo das horas.
Sopro longo e séssil. As auroras
Fendem, cedo, a manhã, que empanturra.

Móvel ledo que verga a casmurra
Fronte. Lido com isso à socapa.
Eu que ruído suporto e sobrecapa.

Autor: Edigles Guedes.


Mãos



Tenho duas mãos e os sentimentos.
Destas duas mãos, que me experimentam,
Brindam duas chamas de pensamentos,
Cada qual com ímpar se barafustam.

Destes últimos, restam-me lamentos
Fúteis, mórbidos;
gastam-me sedentos
Risos. Torre se torce em serpentes;
Pisos mirram , conforme cotangentes.

Lisos olhos devoram-me, tormentos
Úteis, frívolos, medram-me. Aguento
Firme, corro, abraço-te. Vivente,

Sinto os pés em lumes que me mutilam.
Cheiro manso acude. Que me fuzilam
Tuas duas mãos, acanhadamente.

Autor: Edigles Guedes.


Senhora na Relva



Refocila na relva ardente
A senhora de garbo fremente.
O bocejo, de quando em quando,
Volitava, da boca bailando.

Atmosfera devora o aroma,
Que a pele exala, diploma
De franzina e formosa madame,
Com as mãos costureiras. Vexame

Que galguei por calar-me o colo,
Que senti por matar-me de tolo,
A batida batuca e cessa.

Por que não lhe dizer? A garrafa
De infortúnio, que dói, fotografa!
O portanto: sorria depressa.

Autor: Edigles Guedes.


Pinote



Ao nascer, galopei a Estrela d’ Alva,
Que brilhava; pondero: trela e calva.
Ao crescer, naveguei estreito mar,
Que bradava; sopeso: leito e lar.

Sorridente, vingou o siso — gato,
Que traquinas, viveu o falso chato.
Diligente, pingou o mel na sopa,
Que salgada, torceu o vento em popa.

O pinote do Amor — cavalo manso
Que solapa o coice brusco e ranço.
A bisonha (que Dor!) veleja oceano

De potocas inúteis. Desço o cano
Da agonia, por onde mordo triste
A fatiga: ocultar o Amor que viste.

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...