Suspiro de Memória



Manifesto sinal
Que trem descarrilhou…
A embusteira ampulheta
Do tempo, tão solerte,

Não se prostrou… final
De jogo, terminou
A mariposa, peta
Da noite que perverte,

Voa sonsinha pra cima
Da luz incandescente.
Coitada, não tem forças!

Que avexado aproxima
O derradeiro e ciente
Suspiro de memória.

Autor: Edigles Guedes.


Resta-me



Quão graúdo é fugaz desarranjo!
Não do meu intestino frouxo,
Que fica pesado de fezes,
Mas nunca pesado de amor!

Resta-me o sorriso, que arranjo
Num canto arnês de lábio roxo.
Desfaço o laço de talvezes,
Quando desce o tardio sol-pôr.

Resta-me o debique, como arte
De amor frustro ou fúria medida
Nos dedos da mão comedida.

Resta-me o silêncio, como arte
Que restruge nos meus ouvidos,
Agora, moucos, por olvidos.

Autor: Edigles Guedes.


Rouca



Nunca chegarei ao cabo
Dessa grandiosa façanha…
Que delícia favorece
O meu arcabouço? Tece

Cá, dentro de mim, o fio
De Ariadne… Algum Teseu,
Ingrato, olvida a promessa:
Salvaguardar-se da pressa,

Que tudo consome em boca
Do caminho escasso e seu.
Não sustento desafio,

Parto pra cima, me acabo
No cabo da faca, assanha
Meu juízo, lavando rouca…

Autor: Edigles Guedes.


Lábios de Bombom



O célico prado…
Lampírio que voeja…
Um sonho de alado
Ou mimo de sonho?…

Caiu-me na palma
Da mainça um chuvisco;
Quedou-me um suspiro
De manso encantado…

Retiro da palma
De minha cabeça
A ideia de um beijo…

Estalo de lábios —
Bombom, hum! à beça,
Que tanto me acalma!…

Autor: Edigles Guedes.


Mastigava



Ah! caso eu pudesse… mastigava-te todinha,
Como se mastiga um fruto suprimido pelo
Prazer inconfesso de mastigá-lo, bocado
Por bocado, em boca sequiosa por um beijo.

Sem embargo, tu não te rendes aos meus desejos
Mais rútilos, de fruta caída do pé de árvore,
Despedaçada aos teus pés de anjo, tão docemente
De lascívia aos desfrutes dada, devoradora.

Ah! caso eu pudesse… mastigava-te, frutinha
Por frutinha, como se colhesse uma flor, feita
De amor e artimanhas muitas, a carícia eleita,

O dengo escondido na víscera de perfeita
Criatura: mulher, ainda que demais aflita
Ou afoita, suscetível aos temperos da cólica.

Autor: Edigles Guedes.


De mãos Dadas



Contemplo oblíquo mar…
Continua salgado
No seu vaivém desnudo,
Tal qual bicho; de par

Em par, sorve bramido
De leão na bravia
Pedra. Inda que almadia,
Freme nuvem; rochedo

Lastima seu calvário
Por não se circundar
Com onda, no minério.

Que furo! caso amar…
Pode rochedo e mar
Viverem de mãos dadas?…

Autor: Edigles Guedes.


Você Sorriu



Não sei que prazer
Me deu? Na manhã,
De hoje, tudo rútilo.
Um pássaro canta:

Está alegre ou triste?
Talvez ele cante,
Porque sim existe.

Prazer com que anda?
Por que você está
Tão vexado? O Sol
Não largou o fulgir.

A rua, calva, sem
Pingo de pé ou gente.
E você sorriu?

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...