Suspiros e Papiros



Domingo qualquer

De brisa hedionda
Soprando na cama.
O dom de mim quer,

Detido à fé, onda
Logrando mar. (Lama?)
A tarde, com tédio,
De triste remédio,

Se dava ao bom luxo

De tardos, os passos;
De tigres, os lassos;

Nos dados, que puxo.
Refém dos suspiros,
Contém-me os papiros.

Autor: Edigles Guedes.


Siso e Riso



A rocha esbraveja
Palavra imbecil.
A roda espumeja
A lavra sem til.

Senti que passado,
Com ímpar em mim.
O senso perdi,
Compasso de alado.

O pássaro lindo,
Revista de moda.
O pasto florindo,

A vista acomoda.
O siso, topei;
Em riso, abispei.

Autor: Edigles Guedes.


Atônito Abdômen



O fascínio deste castelo dura por séculos a fio
De navalha, corta em pedaços maduros o fruto do frio,
Reflexão das
dúcteis correntes, que abrem as portas do castelo
E seu fosso, visto que lama
olorante e esgoto (de tão tolo!)

Navegavam já por aquelas bandas, uns tantos vomitados.
Cravejava o Sol as pelúcias de suas luzes agonizantes.
De manhã, solfeja um canário, perdido nesses horizontes.
Enquanto isso, vejo um mané-magro, raquítico, demitidos

Os esgares tardos de ordinária tartaruga, com seus rogos,
E caçado as benevolências e benfeitorias da ruga;
Pois, restou-me vastos os mares da consciência, que me cega!


Longe, ao longe, ruge alguns ventos destemidos por um pascigo,
Sinto a relva-grude-e-fantástica assenhorear-se de mim

Neste agora, justo agora, lembro-me que sou atônito abdômen!


Autor: Edigles Guedes.


Você Suporta



No Livro Santo está escrito,
Sim: “Suportai-vos uns aos outros”.
Ah, Deus! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
E eu que não suporto um sorriso

De gato ou sequer um latido
De cão? Se alguém me olha de lado,
Atravessado, qual fiofó
De calango, sou bem capaz

De irromper a Terceira Guerra
Mundial, só pra ver o cabra
Se borrando de medo, ali!

Mas, você? Suporta esse mundo,
Como um Atlas sustenta o mundo
Em seu dorso
— a mais tão divino?

Autor: Edigles Guedes.


Amor e Segredo



O lido segredo,
Que cuido, me agrada…
A estante coxeia…
A dúvida, em cachos,

Viceja: — Secreto,
Por quê? Se descrito,
Me vinga uma rédia!…

Da aljava, Cupido
Recolhe uma flecha;
O dedo, raspado,
Atira, com fléxil

De braço: o aturado
Amor, por mais árido
Que seja tal rédea!…

Autor: Edigles Guedes.


Pai que Sonhei



O quepe, na cabeça, a mimar.
O sabre descostura com a mão.
Tapete, que sondava cafuné,
Agora, decretava um revés.

O sonho que retém o caminhar.
As nuvens, no terraço, pipocar.
Bigode inquieto… Outorgar
Uns ares de fidalgo… Desmentir

Desenho de cachorro ardiloso.
E, presto, arrebento o sorriso.
Estendo as mãozinhas ao longevo

Idoso. Gratifica gargalhada.
Com riso, circunscrevo abobada
Palavra, que me leva, buliçoso.

Autor: Edigles Guedes.


Flor de Cloro



Desperto, em plena
Manhã, com planos
De ler um livro

Fugaz, que lavro
De mui pequeno,
Em dia quínio


Contém na caixa:
Dilúvio, setas,
Detido coxo.
E tu, que hesitas,

Desfazes riso,
Sentires dores,
Pensares
flor
De tanto cloro!


Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...