Verso Martela



Um verso martela
Na minha cabeça,
Não leva consigo
Balela, nenhuma.

Não traz o refúgio
Ao pé de si mesmo.
Avante prossegue,

Tal como paquete
Que singra o Oceano,
Por simples brinquedo.

Um verso martela,
Sem pé ou cabeça…
Conduz-me em abraços
Amigos, mas tardos…

Autor: Edigles Guedes.


Colo e Sina



Mui cuidado:
Colo e sina!
Brisa meiga
Queima rosto.

Chã canela
Deixa marca.
Mar parcela
O Eu por vários

Meses findos.
Há sorrisos
Lindos, bem-

Vindos! Colo
Rindo, gamo!
Sina, bramo!

Autor: Edigles Guedes.


Biliro




Que prende o fero
Cabelo, mantido
Por belo e tido
Por muito; tolero.

Olívia Palito
De tão magricela.
Da cor de baixela,
Que deita no fogo.

Premente, hesito.
Um beijo que rogo;
Me dás o biliro.

O signo sugiro.
Madeixa segura;
Mas peno secura!

Autor: Edigles Guedes.

Pulga com Carinho



É pequena a pulga, escura e pula;
É treteira e suga o sangue pio.
Ah! debruça, pura e sã: desdita,
Feito carne na panela, frita.

Ah! veneno das manhãs de inverno!
Neve alguma cai no seio materno
Do sertão, que cheira ao nu licorne…

É miúdo o meu carinho, pune
Tão pertinho; vai, mansinho; pisa
Dengo; move mãos, divã, mulher;
Torce pernas, pés. Nariz requer

Cheiro tão sublime, minha Alteza!
Pode não… Esconde, minha bela,
No tugúrio! Ou: fera engole, anela…

Autor: Edigles Guedes.


Olhar



Restou-me o frígido olhar
De quem friamente me pisou.
Palor grelou na minha pele.
Pavor soçobra no meu sangue.

O sério reina no semblante
De quem redime o caminhar
Das Horas, dentro do espaço
Finito, assaz do diminuto

Segundo, sem torna-viagem.
Passagem? Só de ida sem volta.
Por quê? Ninguém compra o Passado,

Que alado, voa por montanhas
Do tempo Outrora, com seus cimos.
A cisma abrolha em quem cismou.

Autor: Edigles Guedes.


Chorar a Rosa



Há de chorar a Rosa!
Que se perdeu no flanco,
Esquerdo e cru, da vida…

Há de chorar, bradai!
Por Rosa tão pequena…
Que mais valeu a pane
No coração amargo…

Há de chorar a Rosa!
Como a vã mazela,
Fixa em jardim de males…

Há de chorar, bradai!
Por Rosa tão serena…
Mudo, jamais profane
A cova; então, cativa


Autor: Edigles Guedes.


Cobiça e Querença



Da cobiça, o látego me assola;
Entretanto, o pávido me some.
O chicote devora-me de esmola.
O macérrimo corpo… que demole

As paredes havidas de concreto…
No profundo de espírito, que increpa,
Me censura por ditos impropérios,
Os quais nunca deviam se espargirem.

Mas, detém, de sensato, o deletério
Sentimento; é justo, sob regime,
Os quilinhos restantes no pandulho?

A candura de mãos voluptuosas…
A brandura com pés de virtuoses…
A querença por Dama, que perdure!

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...