Abraço



O pouco som do mar;
O rouco tom: amar…
Artelhos — limbos bambos;
Advém: amamos ambos.

Joelho — lindo tombo;
Martelo — eu que zombo —
Me bate peito; sina
E sorte: misto-quente.

Suave, bela crina…
Cavalo grão carente
De vento forte, fronte.

E sinto queda ponte;
Detido, faço laço
De mim, em grão abraço…

Autor: Edigles Guedes.


Cangalha



Olhar de esguelha,
Como quem o quer…
Divícia querendo…
Os olhos suplicam…

Meiga mão requer…
O vício fervendo…
Na veia, claudicam

Os ternos olhares…
Fruto, não pomares…
E cai uma telha…
O gato hesita…

Novel parasita
Delira: cangalha
Em rude abelha?

Autor: Edigles Guedes.


Mastigado



Que é mastigado?
O dono minguado,
De peito fechado,
Em carro blindado?

Pudera!… De pronto,
O texto remói;
Conversa, que dói,
Me deixa por tonto!

O vão, dissecado
Discurso; cajado
Em mão; abafado

Sorriso, que conto
De boca aberta;
Sinal de alerta…

Autor: Edigles Guedes.


Rendição



Eu me rendo desbragadamente…
Como não ceder à tez ardente?
Como não falar de mãos arteiras?
Como não calar o peito calmo?

Caso sei a dor que teima tanto
Dentro de mim? Caso sei o quanto
Custa-me dó sem o ré de fá?
Puxo mesa, bule, tomo chá.

Eu que sei: bandeiras despregadas
Mais que voam, voam, quando cheiras
Meu cangote, deixas as pegadas…

Corpo tine nome tão de almo…
Solfo canto doce: desatino…
Solto pranto, sinto? Azucrino…

Autor: Edigles Guedes.


Leva



Me leva contigo
Pra mundo d'além

De modo que tem
Um firme abrigo,

Na ponte. Prossigo
E, dentro, umbigo
Me traz um castigo,
Benigno amigo

Da minha cacunda.
A terra inunda
O cheiro de flores.

A vista de cores
Atufa. Amore
s
Acudam-me dores!


Autor: Edigles Guedes.


Trago Flores



E trago flores
Nas mãos risonhas.
E tu me sonhas
Nos braços. Cores

De íris rodam
Mundéu afora.
Ao léu, agora,
Os beijos podam.

E trago dores,
Também, de vida
Cruel, de lida

Babel. Se fores,
Me traga figo

Final que digo

Autor: Edigles Guedes.


Rosas e Rúpia



As rosas desmaiadas
Esperam por um beijo
De ti; vivificadas,
Sorriem
Caranguejo

Contente por afago,
Carícia
Um agrado
Qualquer
Me embriago
Em lábio descarnado!


E ébrio de volúpia
Navego… Por que rúpia?
Por águas caudalosas,

Por mágoas deleitosas

Subjugo os cabelos,
Desbravo os chinelos


Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...