Luar



Luar mortiço,
De tão castiço,
Me faz sumiço,
À vista disso.

E sou perene;
O barro pene!
Às vezes, minto,
E sou um pinto,

De tão miúdo.
Elã agudo;
O vão extinto.

De órfão, sinto
As mãos d
a Lua
Na minha rua.

Autor: Edigles Guedes.


Manhã ao Luar



Dessa manhã jogada ao luar,
Como se joga milho ao acúleo
Dó galináceo.
Ávido sustento,
Pó que ingere… Pávido, do galo

Brota o grito; grave, a goela
Solta o livro lorde; acastela,
Dentro do peito, férvido ardor;
Duro ardor por beijos e calor…

Dama, de ti evola o perfume…
Tanto estimo, quanto afervento
Lar de prazeres muitos: o regalo.

Lábio de Lua lépida consume
Lábio o meu, ao corpo despertar…
Lábio: amor ao píncaro hercúleo…

Autor: Edigles Guedes.


Noite ao Lar



Dessa noite jogada ao lar,
Como joga a caça de sede;
Onde onça despenca embuste;
Onde o caçador desarruma

Cabelo, tez, aprumo, instinto.
A Lua, sim, tolera estrela
De brilho breve, pus, horizonte
Escuro. Mocho cruja. O riso

Me rasga — aluguel de pavor,
Que nervos os deglutem, se for
Obséquio de glutão lazarento.

Moirejo na lavoura dos sonhos;
E, lá, percalço brinca de luta,
Esconde o desfrute da liça.

Autor: Edigles Guedes.


Tarde ao Mar



Dessa tarde jogada ao mar,
Como joga a pesca de rede,
Onde peixe desaba engodo,
Onde o pescador desapruma.

O barco toma rumo distinto,
Por ondas, vagas, lemes, vigílias,
As velas, remos, dós, maresias…
O Sol ainda dorme, cochila,

Depois da sesta, pouco a pouco,
Declina olhos, pálpebras fecham.
O clima brando, brisa serena.

Vulgar minhoca sobe anzol.
Ardil, capaz de só enganar,
A quem por enganado ficar.

Autor: Edigles Guedes.


Percevejo



E por mãos
Benfazejas,
Que me vejas.
Um desejo:

Percevejo
Que me corre
Inquieto!
E por nãos,

Que bocejas
Nas bandejas
Do festejo.

Antevejo:
Que socorre
Um inseto!

Autor: Edigles Guedes.


Sina



A sina surda
Me poupa vista
De torta vida.
O fado mudo

Me faz ouvido
De Seu Doutor.
Destino cego
Convida prego;

Martelo bate.
Cabeça late.
O cão, fedido,

Me pe
rde tudo
E não vi nada,
Mas siso brada!

Autor: Edigles Guedes.


Lençol



De branco, me cubro,
Do quengo aos plintos.
No leito, repouso
Depois de um dia

Maçante. O tédio
Desperta-me, sério.
No meio da noite,
Coragem palpita.

O peito, de rubro,
(E dentro que sinto?)
Me faz curioso.

O quê desafia?
Mulher, de açoite,
Fustiga a chita?

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...