Mosca



Apoquenta-me muito
O zunir de mazela;
O punir amarela
A trombinha, intuito

De sondar a comida.
E coçava as patas
Dianteiras, por lida.
Adejavam piratas,

As cantigas de ansas.
Detrimento de mim,
Enricava a pança.

O açúcar escapa…
O sorriso de ti…
O caminho derrapa…

Autor: Edigles Guedes.


Risco de Giz



Cachorro zurze
A mosca torpe.
Fastio sinto
Em boca torta.

A dor molesta
A carne morta?
Um quadro pinto?
Amor encorpe!

A linda urze
Encanta olho.
A tez recolho.

A onça, besta:
Que sabe, diz?
E risco, giz!

Autor: Edigles Guedes.


Aqui



Estivesses aqui…
Universo seria
Um pontinho, dotado
De airosa prudência.

Estivesses aqui…
Coração pulsaria,
Retumbante, mimado
Ao sabor da cadência.

Estivesses aqui…
Em bebê tornaria,
Criatura de flor!

Estivesses aqui…
De feliz, pularia
Um qualquer por Amor!

Autor: Edigles Guedes.


Rolinha



Soez Columbina
Acorda-me… Sina
De quem entristece
Por colo, manceba!

Invade terraço,
Com sua zoada;
Chilreia toada
No nosso regaço.

Rolinha que tece
Manhã venturosa.
A mão ou benesse

A mim que receba!
Obtenho, sentido,
Peleja que lido!

Autor: Edigles Guedes.


Manteiga em Fuça de Gato



Cartaz: a madame
Sorri e convida.
Um mundo de sonhos,
Que abre janelas.

Por mim, desfastio
Que bate à porta.
Cansado, semeio
As plantas em horta.

A moça, que brame,
Me chama — quimera!
Almejo milagre.

Da vez, propaganda:
Passar a manteiga
Em fuça de gato.

Autor: Edigles Guedes.


Noite



A Noite ruge.
Um lago plácido
Destrói o ácido
Humor, que muge.

A vaca, dente
A dente, mói.
Capim ridente.
A Dor me dói!

A brisa uiva
Um vento brando…
Estrela ruiva

Destila pando
Viver. Espaço:
Iglu abraço!

Autor: Edigles Guedes.


Coração



Durante verão,
O canto de rio
De águas vibrantes
Me deixa tocado

Por árias profusas.
E há passarinhos
De penas vistosas.
Porém, coração

Detém-me. O cio
De cenhos gigantes
Me põe afetado.

As luzes difusas

E fazes biquinhos

Senhora, que prosas!

Autor: Edigles Guedes.


Aquário de Vida

À mercê dos favônios, Bisviver jigajoga, Bajogar a conversa, Retisnar os neurônios… Lida que se renova. Quem me dera essa trela… Fá...